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Leþnidas e a discriminação racial

De Rei a Enfermo, os  90 Anos do Diamante Negro.

Jóia genuína e rara, Leônidas da Silva foi um dos maiores jogadores de futebol de todos os tempos. Quando popular, emprestou sua alcunha Diamante Negro para o chocolate ainda bastante vendido e foi o primeiro atleta a faturar com propaganda.

Nasceu em 1913, na cidade do Rio de Janeiro, e começou no Sírio e Libanês;  foi para o Bonsucesso (o estádio do clube recebeu o nome do craque), Peñarol (do Uruguai), Vasco da Gama, Botafogo, Flamengo e São Paulo, clube onde encerrou a sua carreira, de 19 anos, nos quais marcou 406 gols. Quem teve o privilégio de o assistir no São Paulo F.C. no final da carreira, percebia que ainda conservava técnica de jogador fenomenal.   Nas décadas de 30 e 40, no Brasil somente duas personalidades rivalizavam sua celebridade:  o maior dos cantores da primeira metade do Séx.XX, Orlando Silva, e o Presidente Getúlio Vargas cuja importância na história está sendo resgatada; descubra clicando aqui ó

Ao parar de atuar dentro de campo, tentou ser treinador, mas não obteve sucesso, e se tornou comentarista de rádio e tv, abandonando a imprensa por causa da doença trágica, Mal de Alzheimer. Desde 1995 não falava, não caminhava e não reconhecia ninguém, sendo internado na clínica geriátrica Granja Viana na cidade de Cotia, interior de São Paulo, custeada pelo clube São Paulo, que sempre incentivou e amparou atletas, não apenas de futebol, fomentando o inolvidável Ademar Ferreira da Silva, medalhista olímpico de salto triplo.   Logo após completar a idade de 90 anos dia 6 de setembro de 2003 Leônidas faleceu longe das pessoas (apenas a esposa Albertina dos Santos, 75 anos visitava-o duas vezes por semana), mas permanece vivo na memória do esporte.

Inteligente, ágil, bravo, veloz, de técnica excepcional, com oito gols foi o artilheiro da Seleção Brasileira e do Mundial de 1938: Marcou até descalço.  O Brasil não levou a Taça Jules Rimet, perdeu para a Itália na semifinal, mas com arte e esforço gravou seu nome na restrita galeria dos 50 gênios da bola. Conheça as 50 personalidades da história do futebol clicando aqui ó

Na Copa do Mundo da França de 1998, no estádio Parc des Princes, em Paris, local do duelo entre Brasil e Chile na Copa de 1938, torcedores estenderam uma faixa com dizeres: “Leônidas Vive ! ” Justa a homenagem.  Foi lá que o craque assombrou, ganhando o apelido de Homem Borracha, consagrando a jogada da bicicleta, uma de maior plasticidade e dificuldade de execução: A bola é lançada alta demais para um chute direto, e em trajetória que não permite cabeçada, porque vem por trás. De costas para o gol, aproveita a flexibilidade,  levanta alto uma das pernas, pula descendo aquela perna e, aproveitando a reação impulsiva, gira o corpo no ar elevando ainda mais alta a perna oposta, na jogada mais bonita do futebol.   Não foi o inventor, mas a popularizou, tornando-se lendário.

Seus gols eram tão lindos que até o goleiro vencido o felicitava. Deslumbrou a mídia e escritores, como o uruguaio Eduardo Galeano.    Bauer, meio-campista da seleção Brasileira de 1950, salienta que o futebol brasileiro divide-se em duas eras:   Leônidas e Pelé.   Aliás, dizem que foi com Leônidas que Pelé aprendeu aquela manha de fingir que estava fora de jogo,   amarrando a chuteira e,   de repente,  apanhar a bola e fazer o gol deixando o adversário tonto. Em 1938, na Copa do Mundo da França foi artilheiro e considerado melhor jogador. Era tão encantador nas jogadas que a mídia “esquecia” que ele era negro, na época que o esporte era dominado pelos brancos.

Em 1993, dois anos antes de ser internado, tendo à direita, o retrato dos áureos tempos:

Na esquerda da foto,  a famosa jogada de bicicleta, imortalizada pelo craque.

Parcialmente baseado em texto de Israel Rahal, Jornal O Sul, Porto Alegre, sábado, 6 de setembro de 2003, pág 30.

 

Discriminação racial

Leônidas foi exceção à regra, pela qual os negros foram discriminados. Pelé, "Rei do Futebol”, embaixador do Brasil, também negro, foi tratado como um sucessor de Leônidas na segunda metade do Séc.XX. Ou seja, é a exceção confirmando à regra. Perguntar-se-ia, por que pertinente:

Além de participar de esportes (atividade física)  em termos intelectuais e científicos os negros brasileiros fizeram ou inventaram o quê ?

Alguns poetas e escritores (Cruz e Souza, p. ex.  no Séc.XIX), foram reconhecidos. Mas... O que mais podemos lembrar ?

Do quanto sabemos, nada. Porque os "coloreds" foram considerados de segunda linha e marginalizados. Só no final do Séc.XX começam a ter chances de criar, inventar quando, especialmente após 1988,  o Brasil adota nova Constituição enfatizando a primazia do princípio da Dignidade da Pessoa Humana. Saiba mais clicando aqui

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