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Para realizar grandes sonhos [ necessitamos grandes
sonhos. [Hans
Seyle]
Observe algumas das
50 personalidades mais importantes na história
do Futebþl. Note:
Muitos são notórios mas outros, tão ou mais importantes, esquecidos... Por que
uns são conhecidíssimos e, de outros,
nem se ouve falar ?
A idolatria impregna toda
nossa sociedade. Uma breve análise do desporto auxilia a compreendê-la:
Pelé
todos o conhecem. Marcou 1282 gols. Rei
do Futebol e,
por tabela, do esporte. Unanimidade como jogador mais talentoso de todos
tempos, exceto para os Argentinos. Tornou
um time do interior paulista, o Santos, e sua cidade, mundialmente
conhecidos.
Artur
el tigre Friedenreisch marcou 1329 gols, 47 mais do que Pelé. A
estatística é criticada porque a prática desportiva daquela época (nasceu
em 1892, filho de alemão com brasileira) pode ser considerada amadora
comparada aos padrões atuais e a maioria dos aficionados nunca ouviu falar dele
porque não há mídia.
Maradona fez apenas 311 gols, mas é um dos mais famosos porque caiu nas
graças da mídia, apesar de seus hábitos pouco exemplares, de
noitadas e bebedeiras, e até de consumir drogas. 2 de seus gols na
Copa de 1986 ficaram notórios,
um deles com a mão. Compare-o com o talentoso, mas
desconhecido do grande público, o recentemente falecido:
George
Best considerado
o mais talentoso jogador britânico de todos tempos. Desportistas consagrados como Pelé considerando-no incomparavelmente melhor
atacante que Dieguito. Ao tempo do maior sucesso do quarteto musical inglês, sua popularidade no Reino Unido o tornou carinhosamente conhecido como o “5º Beatle” Mas, por hábitos idênticos aos
de Dieguito
pouco
exemplares, de noitadas e bebedeiras, e
por jogar na Irlanda do Norte, politicamente incorreta, sofreu discriminação da
mídia e não se tornou conhecido do grande público mundial. Compare esse ostracismo com a popularidade
internacional de outro inglês, cujo talento era muito
inferior:
Sir Bob
Chalton caiu nas graças da mídia e se tornou mundialmente
conhecido, chegando a ser condecorado cavaleiro do Reino Unido (knighted by the Queen). Compare com:
Josep
“Pepe”
Bicas pouco conhecido, mas considerado um dos
melhores atacantes de todos os tempos. Em 1934, com vinte anos, destacou na
Áustria e foi para o Slavia Prague onde,
em 1938, caiu no ostracismo e foi sufocado pela antipatia dos comunistas
tchecos ao individualismo.
Talentos
individuais x Equipe
Em 1982 a equipe da Itália pilotada por
Paolo
Rossi
eliminou nas oitavas
de final o controvertido “futebol
entretenimento” do treinador Telê Santana, que contava com
uma constelação de craques como Falcão, Sócrates, Eder,
Júnior e Zico então considerado sucessor de Pelé. A derrota pesa nos ombros daquela geração da
equipe considerada a que reuniu a maior quantidade de talentos individuais.
Anos depois, o Brasil não possuía tantas estrelas,
mas conquistou duas Copas porque formou espírito de equipe taticamente
organizada pelos técnicos. Em 1994, com Zagalo integrante da seleção bi-campeã 58/62 e técnico do Tri-1970, Parreira
conquistou o Tetra, com o Capitão Dunga, Romário e Bebeto.
Em 2002, o técnico Felipão trouxe o Penta. Havia os dois Ronaldos e
Rivaldo, mas em ambas vitórias
os talentos individuais não se comparavam com de outras seleções que não
venceram ilustrando a importância do entrosamento da equipe.
Alfredo
Di Stefano divide com o francês
Michel Platini
o
título da crítica de jogadores “mais
completos”, especialmente na simpatia da mídia. Mas no que iniciou pelo River
Plate,
passou
pelo Milionários
da Colômbia, mas se destacou no Real
Madrid em ascensão para ser o melhor time do mundo. Foram 6 Copas dos Campeões da Europa da UEFA, numa equipe repleta de craques como do
também argentino Jorge
Valdano, do Mexicano Hugo
Sanchez, de F.Puskas e
Francisco Gento, comprovando a
importância da equipe. Consultoria Deloitte & Touche “in” Revista VEJA, editora Abril, ano 32 n.22, 2
de junho 1999. p.122, ainda apontava o MANCHESTER UNITED (Grã-Bretanha) com 140
milhões de dólares, como a equipe de maior faturamento no mundo, mas vinha
perdendo terreno no chamado Clube dos
Ricos para as equipes espanholas e italianas: BARCELONA (US$ 94 milhões) e
REAL MADRID (89) e JUVENTUS (85). No ano
seguinte, Revista World Soccer indicava que o Real
Madrid havia superado o Manchester, terminando o ano de 2002 como o clube mais
rico do mundo, com rendimento da ordem de US$ 300 milhões. Mas a seguir, por
conta da crise decorrente da
transformação dos clubes em sociedades comerciais, o do futebol Espanhol
perdeu espaço e o clube bretão reassumiu a liderança.
Franz BeckenBauer chegou a participar em uma mesma Copa como atleta e
técnico, mas contou com auxílio de craques como Lotthar
Mathaus e Jurgen
Klinsmann para tornar o inexpressivo Bayern Munich em potência mundial. Como reconhecimento, em 2001 foi eleito presidente do clube.
Johan
Cruiff em 1974, com a equipe
holandesa “Laranja Mecânica”
introduziu o conceito do “futebol total”
- atacar e defender em bloco. O futebol
equipe assegurou muitos títulos ao Ajax:
Mundial Interclubes, 7
Copas Holandesas e 3 Copas dos Campeões UEFA seguidas.
Por falar em Equipe... A do Brasil de 1970 é
considerada a mais eficiente de todos os tempos. Também pudera: Felix, Carlos Alberto Silva, Brito,
Rildo, Everaldo, Clodoaldo, Jairzinho, Tostão, Pelé, Gérson dos
incríveis passes de 60 metros, e Roberto
Rivelino autor do gol mais rápido da história aos 3 segundos e
Record de 91 partidas pela seleção brasileira.
Idolatria
x discriminação racial
O Uruguaio José Leandro Andrade
possui um recorde dificilmente igualável, com 3 medalhas de ouro nos Jogos
Olímpicos de 1924 e 1928 e na Copa de 1930. Mas como o primeiro negro num desporto então dominado pelos
brancos, praticamente não é lembrado.
Leonidas
“diamante negro” da
Silva vendo a bola chegar alto, de costas para o gol aproveitou
sua flexibilidade para aplicar uma das jogadas mais bonitas do futebol, a bicicleta. Não foi o inventor, mas quem
popularizou, tornando-se lendário. Em
1938 na Copa do Mundo da França foi artilheiro e considerado melhor
jogador. Suas jogadas eram tão encantadoras que a mídia “esquecia” o fato de ser negro, numa época que o esporte era
dominado pelos brancos. Veja mais sobre a história desse grande
craque e sobre a discriminação racial clicando aqui à þ
Didi
foi autor do 1º gol no Maracanã,
em 1950, mas foi preterido na seleção que perdeu a Copa daquele ano porque
era negro. Sua genialidade foi confirmada duas Copas depois, em 58 e 62,
originando as jogadas finalizadas por Garrincha, Pelé e companhia.
Alcides
Ghiggia notabilizou-se no passe que
permitiu o gol de empate e por marcar o gol da vitória de virada de 2x1 contra
o Brasil. Mas Roque Maspoli que era negro num esporte então dominado pelos brancos nunca é lembrado, apesar das
excelentes defesas. Bastaria apenas um erro do goleiro do Uruguai e o Brasil
teria sido vencido a Copa de 1950 (com empate o Brasil seria campeão por pontos).
Just
Fontaine continua recordista de gols em
Copas; em 1958 fez 13 gols pela França, mas não evitou a derrota para o Brasil
na semifinal, e caiu no esquecimento.
Antonio
Carbajal é
recordista com 5 participações em Copas Mundiais de 1950 a 1966. Em 1962, como Capitão do México, levou a equipe a sua
1º vitória em Copas, contra a Tchecoslováquia. Como os anteriores, caiu no
esquecimento... Compare com...
Roger
Milla que
estreou na Copa de 1982 onde Camarões terminou invicto. Em 1994 nos EUA jogou
contra o Brasil nas semifinais e, na disputa de 3º lugar com a Rússia, marcou
gol aos 42 anos, recordista em idade! Nascido na época certa, quando
politicamente correto prestigiar a raça negra e povos africanos (penitência
por séculos de opressão?), tornou-se muito mais conhecido do que ensejaria seu
talento se defendesse países europeus.
Mídia e intere$$e financeiro
Alan
Shearer será
sempre lembrado pelas cifras de 24 milhões de dólares pagos pelo New Castle ao Blackburn
por seu passe. Muito ?
Zinedine
Zidane vale mais do que seu peso em
ouro: Real
Madrid pagou 70 milhões de
dólares ao Juventus
por seu passe em 2001. Como a necessidade de pagar
“passe”, valor fixado pelo clube de origem do jogador, deixou de existir,
parecia que a história das somas fantásticas terminaria por aí. Quem acreditou
que indenizações por rompimento do contrato antes do prazo jamais chegariam
próximos aos valores do passe se enganou. Em março de 2005 o bilionário russo Roman
Abramovich do time inglês Chelsea ofertou 100 milhões de
dólares por
Ronaldinho Gaúcho.
O Barcelona
recusou a oferta porque era pouco: O
ex-atacante do Grêmio aumentou
a procura por ingressos e o clube catalão cresceu 37% sua arrecadação; o
jogador é apontado como principal fator na negociação em valores 55% superiores
ao anterior no contrato com a TV; também é chave na expansão para os mercados
asiáticos. Quer dizer: O clube
ganhará muito mais do que cem milhões de dólares mantendo o jogador na equipe
durante o restante do contrato. Tenha uma idéia do que Ronaldinho anda fazendo no futebol europeu assistindo um vídeo de 6 minutos e meio com uma seleção de seus lances clicando aqui J
Alguns famosos, outros ilustres desconhecidos. Nenhum deles, nem suas seleções,
foram responsáveis pela aplicação da maior goleada na história de Copas,
incluindo eliminatórias. Em
11/4/2001 a seleção Australiana venceu a de Tonga
por incríveis 22x0. Muito ? Dois dias depois, enfrentando a
seleção da Samoa Americana, a Austrália aplicou
inacreditáveis 31x0, a maior goleada na história de Copas do Mundo. Na semana seguinte, a mesma
Austrália foi eliminada das eliminatórias da Copa pela seleção do Uruguai,
vencedora da “repescagem” do
continente Sul Americano. Pois a
direção da FIFA decidiu acabar com a repescagem no Sul Americano e a partir da Copa de 2006 passa a haver uma vaga
para a Oceania. Quer dizer: A Austrália, que não tem e não terá durante as
próximas décadas qualquer adversário naquele continente, desfrutaria de vaga permanente e garantida
nas Copas do Mundo. É mole ? Responda
rápido: Quando essa vaga custou ? Mais
tarde, a Fifa voltou atrás...

Por que futebol atrai as massas ?
Violência motivada pelo clima de estresse e
tensão da Revolução Industrial. A
industrialização da Inglaterra provocou grandes concentrações de
trabalhadores: Ao contrário do campo,
onde caminhavam muito, caçavam, pulavam, corriam, etc, nas cidades acumulavam
energia. As populações começaram a se concentrar próximo às fábricas onde as
condições de vida e de trabalho eram dantescas, com jornadas desde o raiar do
dia até a última luminosidade. A população crescia, e as condições pioravam,
devido ao aumento da oferta de mão de obra. As fábricas apresentavam clima
tenso. Os pais, fatigados, carregavam esse “clima” para suas casas. Essa tensão
social traduziu-se na violência que os filhos passaram a levar para as salas de
aula e as ruas. As escolas sofriam evasão dos estudantes e a agressividade
dos que ficavam, depredando e ateando fogo nas salas de aula. Os educadores
tentavam incentivar a prática de esporte para ocupar o tempo e descarregar
energia dos estudantes. Mas só lograram sucesso nos jogos com bola. Fáceis de
entender e praticar e empolgantes.
Chutar uma bola é fácil, divertido e a dinâmica do jogo é compreensível, e a atividade
descarrega a agressividade.
Mas
os jogos coletivos com bola eram proibidos, há séculos. Houve duas
conseqüências: 1º Deixou o “Renascimento” do Futebol apátrida, porque, temendo
represálias ao incentivar uma prática proibida pelo Rei, o professor que teve a
idéia não reivindicou a paternidade da prática que, em curtíssimo espaço de
tempo, disseminou-se por todas Escolas. Em 2º lugar, o fato de ser proibido
facilitou a tarefa de empolgar os jovens com o futebol, porque saciava suas
rebeldia: Ao jogar estavam se rebelando contra a proibição oficial! Quando alguma atividade é oprimida por
proibição legal ou discriminação moral, provoca uma força potencial
contrária. Há vários motivos, como: 1º fascínio do proibido; 2º simpatia às causas dos
oprimidos. A força potencial contra a repressão agiganta-se até
vencer a repressão, e quando ocorre, os pratos da
balança desequilibram-se para o
outro lado: A força necessária para superar a inércia (tendência de
permanecer como está) não permite encontrar imediatamente o ponto de equilíbrio
porque conduz a situação ao lado oposto. Podemos denominar esse momento de “abuso reverso” à repressão. É abuso porque os interessados na
prática, antes reprimida, até então vítimas da opressão, invocam essa condição
contra qualquer movimento contrário e, não raro, usam de subterfúgios para
manipular a opinião pública em seu favor . Podemos
compreender esse fenômeno com exemplos da história recente, como em alguns
aspectos da revolução sexual:
Concubinato.
Marginalizado até a década de setenta passou à consagração na Constituição de
1988 seguida, em 1994, por legislação não ponderada, gerando
insegurança: Solteiro, separado ou divorciado corria risco de se tornar
réu em ação de partilha de bens e alimentos após o fim de um breve namoro
porque a imprecisão legislativa ensejava interpretações estelionatárias de que qualquer relação seria união estável – expressão,
aliás, imprecisa e infeliz porque união alguma é estável, nem usando cola
epóxi. Estáveis são as fusões. Isso acelerou a revolução dos padrões
de comportamento. Para prevenir incômodos, muitos passaram a evitar relacionamentos
monogâmicos, estimulando multiplicidade de parceiros e um novo hábito: “ficar”,
os “quase namoros” e relações de carinhos efêmeras entre amigos ou
desconhecidos. Isso acelerou a queda do falso
moralismo. A sexualidade, reprimida durante séculos, descambou em
libertinagem. Mais recentemente, ocorreu o contra-fluxo, o movimento
pendular em direção contrária: Adolescentes preservando-se e mantendo a
virgindade até mais tarde. Nesse “caldeirão social” em busca do equilíbrio
moral surge outro conceito, impreciso e também fonte de insegurança e
discussões: assédio sexual.
Pesquisadores da
Universidade de Southampton, na Inglaterra, e da
Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, liderados
pelos professores Mark Hanson
e Peter Gluckman, descobriram que a primeira
menstruação entre as garotas do Paleolítico chegava entre os 7 e os 13 anos.
Durante séculos, as doenças e a má alimentação retardaram a puberdade feminina.
As condições modernas de higiene e nutrição, além da evolução de medicamentos,
permitiram que a menstruação das meninas do século 21 voltasse ao seu ciclo
original. Só que, diferentemente das mulheres paleolíticas, as meninas de hoje
se tornam férteis antes de estarem com a “cabeça” pronta para se comportar como
mulheres adultas. A sociedade se tornou mais complexa, e as
maturidades sexual e psicossocial entraram em
ritmos diferentes. “O nosso
sistema social funcionava sob a premissa de que os dois tipos de maturidade
coincidam. Mas isso não é verdade e nunca mais será, porque não podemos mudar a
realidade biológica. Temos que elaborar um novo tipo de estrutura – educação
escolar, por exemplo – para lidar com essa realidade”. Pela primeira vez em 200
mil anos, a espécie humano tornou-se sexualmente
madura antes de estar psicologicamente preparada para agir como adulto na
sociedade. Tudo isto reforça a onda da “contra” revolução-sexual do início do
século XXI.
A
“opressão social oscilante” e seus
efeitos são observados em outros aspectos da sexualidade como o homossexualismo.
Venerado pela civilização Grego-Romana até o século VI quando o
Cristianismo dominou o Império Romano e impôs uma nova “moral” criticada como
falsa sob acusação de esconder reais objetivos. O homossexualismo passou a ser
reprimido e discriminado, durante 16 séculos. Ilustra o grau de repressão o genocídio dos Incas. Apesar de
reprimirem o homossexualismo, foram dizimados porque ferrenhos cristãos
espanhóis acreditavam estar diante de tribos Maias, habitantes do antigo
México, os quais praticavam o homossexualismo. Após 16 séculos de repressão, as três
últimas décadas do século XX viram o homossexualismo ocupar espaços culturais,
sociais e políticos, exageradamente ao ponto de,
em determinadas atividades ou meios, o heterossexual
ser discriminado. No início do século XXI, começa a desaparecer o “abuso
reverso”, e a preferência sexual passa a ser vista como um componente da
privacidade, e como tal respeitado.
Outro
aspecto revelador do “movimento pendular
da opressão ao abuso” foram as relações de Consumo. No Brasil, até o final dos anos oitenta, eram fabricados e
vendidos produtos defeituosos, não raro perigosos. Montadoras aproveitavam
maquinário e caríssimas matrizes de aço
descartados nos países mais avançados quando surgiam novas tecnologias para, no
Brasil, produzir e vender produtos notoriamente ultrapassados. Raros
consumidores arriscavam ajuizar ações, caríssimas e demoradas. A maioria ou
quase totalidade dos que tentavam perdiam a demanda e ainda suportavam elevados
custos de advogado, perícia, etc. No início da década de 90 inicia a revolução
pelo Código do Consumidor (um dos legados da era “Collor”
veja detalhes em www.padilla.adv.br/ética/idolatria)
criando a “possibilidade” do Juiz inverter o ônus da prova pela
presunção de que o consumidor dispõe de poucos recursos comparado ao
fornecedor. Encantados pelos céleres, gratuitos e informais procedimentos da
Lei 9.099/95, muitos consumidores exageraram nos reclames formulando pedidos de
indenização nos quais nada precisavam provar. Na esteira de simpatia com “o pobre do consumidor que não tem como
defender seus direitos”
empresas sérias amargaram
condenações vultosas por supostos
prejuízos e muitas tiveram tantos prejuízos que fecharam as portas
Outra
"onda" ilustrativa do “movimento
pendular” é a do dano moral pedido em geral sob amparo da Assistência Judiciária. Havia resistência, no Brasil, ao
deferimento do dano moral. Salvo hipótese de morte, era negado. Essa situação
alterou-se com a nova sistemática constitucional (art 5º V e X
da CF) imposta
em 5/10/1988, ensejando uma onda de condenações exageradas. No segundo momento,
a força contrária começou a vencer e, passada uma década,
começaram indenizações pífias. No JEC Juizado
Especial Civil, indenizações ínfimas passaram a acontecer sob o
argumento de que a alçada do JEC seria de quarenta salários mínimos (art.
3º I da Lei 9099/95), e sob a falácia de um valor máximo que
poderiam arbitrar para uma indenização para falecimento, passaram a “tarifar”
com valores aviltantes outras ocorrências, com quantias de um a dez salários
mínimos. Trata-se de um sofisma, primeiro porque o JEC pode decidir questões
além de quarenta salários mínimos, aliás, de qualquer valor, nas hipóteses do
art. 275 – II do CPC, que incluem, “causas,
qualquer que seja o valor” em acidentes de trânsito terrestre e respectivos
seguros (art.
275, II, d) e e),
do CPC c/c art. 3º, II, da lei 9009/95) ou de
honorários profissionais liberais, inclusive advogados (inc.
f) do mesmo artigo). Ou seja: o JEC pode decidir
indenizações ou cobranças milionárias... Assim, em caso de pedido de
indenização por morte decorrente de acidente de trânsito a competência do JEC
dá-se pelo inc. II, do art. 3º, da Lei 9099/95, e o valor da
indenização pode ser arbitrado acima da limitação do art. 3º, I, da Lei
9099/95, não havendo porque tarifar com valores pífios outros casos de dano,
exceto o desejo inconsciente de criar uma resistência à “onda” de indenizações
vultosas por dano moral.
O
STJ vem tentando impor limitações aos valores excessivos corrigindo os
avultantes, inclusive mitigando os rígidos critérios de admissibilidade do
Recurso Especial. Veja mais a respeito em www.padilla.adv.br/teses/moral
Com
relação à AJG,
Assistência Judiciária Gratuita também houve modificações. Até 1950 os pobres,
que não podiam pagar custas, não tinham acesso à Justiça, e esse foi um dos
principais motivos para a criação da Justiça do Trabalho apartada, com regras
próprias para custas. Veja mais sobre o tema no livro TGP em www.padilla.adv.br/teses. Com a Lei 1060/50, foi
possibilitado o acesso à Justiça para quem não podia pagar as custas, mas com
forte burocracia que causava espécie. Em 1985, com a desburocratização,
simplificou-se o pedido, mas descambou num abuso. Mas as custas judiciais mais caras
motivaram, cada vez maior parte dos autores a requerer Assistência Judiciária. Quase todos autores postulavam a isenção,
criando um grave problema nas escrivanias privatizadas porque o trabalho
aumentou e, com ele, os custos, mas a receita reduziu, porque quase ninguém
pagava as custas, provocando penúria e prejuízo ao serviço. Com a Constituição
Federal de 1988, sob pretexto de que teria introduzido uma modificação,
iniciou-se um movimento contrário. Contrário à concessão. Em Porto Alegre, por
exemplo, os juízes das varas cíveis reuniram-se informalmente para tentar
uniformizar critérios, como o teto de dez salários mínimos de renda. Veja mais
em www.padilla.adv.br/assistenciajudiciaria.mht..
Postular com AJG é melhor do que jogar na
loteria porque, se ganhar, é uma bolada, e as chances de ganhar são
muito maiores que um sorteio de dezenas de milhares de números. E se perder, é "de
grátis", porque não dispendeu nem o preço do
bilhete... São milhares de ações ajuizadas todos dias, em
grande parte aventureiras.
O problema em todos esses fenômenos está na
falta de equilíbrio. Há forças antagônicas digladiando-se. A que quer mudar e a
que não quer, até que a primeira fica mais forte, e vence. Depois, como há abusos, é a outra pode
crescer, e a suplanta. E ficamos nesse balanço, para um lado, e para
outro, com dificuldades de encontrar o equilíbrio... Precisamos de mecanismos
de controle que equilibrem as forças no interesse da tranqüilidade da
sociedade. Esse papel deverá ser
exercido pelo Judiciário. Para isto, o juiz deverá colocar acima
de tudo a necessidade de ser imparcial. O Juiz é um ser humano, integra
um contexto social vivenciando fenômenos. Terá que se esforçar muito para ser
totalmente imparcial. Do contrário, nem percebe que está “na onda”, olvidando sábia lição do art.5º da Lei de Introdução ao Código
Civil: “Na aplicação da lei, o juiz
atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum.” Sem demagogia, hipocrisia, ou
falso moralismo, a lei deve ser aplicada considerando os fins sociais que
criaram a norma e as exigências do bem comum. Quer dizer, bom senso leva a
reencontrar o equilíbrio. Aprofunde
esse tema clicando aquiþ.
Quase ao fim do séc.XIX, depois
de 5 séculos de repressão contra o futebol, o meio social estava propício
para seu renascimento em meio a um mar de simpatia popular turbinado por fatores como:
É barato. Requer
uma bola, um espaço de campo, dois jogos de trave, e dezenas
de pessoas tem divertimento garantido.
Suas regras são fáceis, comparado a
outros desportos, é mais fácil de praticar e entender.
Sua prática é divertida e favorece o
espetáculo.
Acontecem jogadas bonitas, com beleza plástica, cativando quem pratica e
prendendo atenção do expectador. O gol ou quase gol é o momento de maior
emoção. Constate essa emoção num pequeno vídeo com 0,8 Mb clicando aqui ó
A vibração, a descarga tensional, e
conseqüente bem estar, fazem o torcedor apaixonar-se pelo esporte.
Futebol
pode ser jogado com fair play, sem produzir lesões, o
que atrai o apoio dos pacifistas. Mas eventualmente acontecem jogadas
violentas, contrariando as regras e objeto de punição, e sua ocorrência
facilita a simpatia de quem está com a agressividade à flor da pele.
Pode
ser praticado em qualquer idade.
Esporte de equipe. Muitos se tornaram ídolos porque contaram com
uma equipe e, não raro, sequer eram os melhores. Apenas conquistaram simpatia
da mídia e, através desta, do público. Mas outros, tão bons ou até melhores,
são ilustres desconhecidos porque
integravam equipes menos importantes, ignoradas pela mídia e foram
discriminados.
A equipe permite uma idolatria permanente, com as
cores do time e com o local. Desde 1993
a Lei Zico já atribuiu aos clubes a propriedade intelectual de seus símbolos (o
hino, o uniforme, etc.), regra reiterada na Lei Pelé. A Equipe é fundamental. O
torcedor identifica-se com a Equipe. Veja o que aconteceu com o Manchester
United - clube discriminado e pouco conhecido
até que, em 1958, 8 de seus jogadores faleceram num acidente aéreo e o fato virou manchete em toda Europa, até
pela dúvida razoável se a equipe persistia existindo. A
exposição e a simpatia provocados pelo acidente provocou uma
reviravolta, dando início a uma nova fase na qual o clube passou a ocupar uma
posição de destaque na mídia e a conquistar cada vez mais torcedores fora da
sua cidade, crescendo em importância até que a mídia “esqueceu” a discriminação
e o espaço ocupado se tornou permanente. O clube não parou de crescer até se
tornar o maior do mundo em faturamento, posição ocupada por muitos anos até
2001.
O chamado Clube
dos Ricos, Times com maior
faturamento no mundo em milhões de dólares:
Manchester United (Reino Unido) 140;
Barcelona (Espanha) 94;
Real Madrid (Espanha) 89;
Juventus (Itália) 85;
Dados da Consultoria Deloitte & Touche (Revista
VEJA, ed. Abril, a.32 n.22, 2/6/1999. p.122)
Posterior levantamento publicado pela Revista World Socce revelou que o
Real Madrid terminou o ano de 2002 como o clube mais rico do mundo com
rendimento de U$$ 300 milhões. Mas a legislação espanhola que provocou a
transformação dos clubes em empresas gerou crescente crise no futebol daquele
país e, embora Real Madrid e Barcelona não tenham alterado seus regimes
jurídicos, persistindo como associações civis, foram atingidos indiretamente
pela crise geral do futebol espanhol e sofreram redução do faturamento. Dados
do ano de 2004 indicaram que o Manchester United recuperou o podium.
Em 2006, o Barcelona, aproveitando a excelente
fase de Ronaldinho Gaúcho, aumentou seu faturamento desbancando o
time bretão.
A
mídia promove. A mídia contribuiu para popularizar o futebol
e, como este mexe com a paixão, desperta interesse, torna-se um manancial
inesgotável de assuntos novos, fofocas, novidades, etc., a cada dia, o que
auxilia a vender os jornais, a atrair ouvintes para as rádios, telespectadores
para a TV, e a vender espaços de publicidade. A imprensa desportiva
especializou-se e o esporte ocupa espaço permanente. Mídia e esporte não
manteriam sua grandiosidade, um sem o outro.
Nascimento
de uma nova classe social, os Cartolas, que aproveitou da propagação
do futebol. Cartola era originalmente o “chapéu
alto”, de copa elevada e cilíndrica que, em conjunto com o fraque, era
utilizado em situações extremamente formais. No século XIX, como registrou
Machado de Assis, o espírito popular criticava esse chapéu, apelidando-o de “chaminé”, “canudo” ou de “cartola”
- variante de “quartola”, nome de uma
medida para líquidos: uma pequena pipa correspondente a um quarto de tonel, com
a qual o chapéu se parecia. Nas caricaturas da imprensa, a cartola e o charuto compunham a figura dos novos-ricos e magnatas.
Ironicamente, passou a denominar a classe dos dirigentes que enriqueceram administrando
os cada vez maiores recursos dos clubes de futebol.
O futebol demorou a despontar nos Estados Unidos
porque, após a quebra da Bolsa em 1929, seguiu-se uma depressão econômica na
década de 30 e o Futebol, considerado desporto não americano, foi discriminado:
Perdeu espaço na mídia, apoiadores, e público. Quarenta anos mais tarde, quando
intentaram ressuscitar a Liga, os cartolas
(de outros esportes) encontraram outros esportes como o beisebol, o futebol americano, o basquete, o
hóquei no gelo, o tênis e o golfe, estruturados
e ocupando espaços na mídia, investidores, e aficionados. Mas a partir do final
do Séc.XX, em razão do incremento de sua prática pelas novas gerações,
especialmente pelas mulheres nas escolas, o futebol começa a ocupar cada vez
mais espaços nos EUA.
Os governos promoveram o desporto. Na Inglaterra, depois de séculos de
repressão, tanto governo quanto a Igreja e demais lideranças passaram a
propalar necessidade dos cidadãos terem saúde, que o esporte proporcionava,
incentivando sua prática, ao perceberem tratar-se do melhor mecanismo de
controle social. Modernamente, os governos utilizam o esporte para auxiliar a
controlar a tensão popular: Adotam
medidas antipáticas quando o povo está emocionado com vitórias em competições,
e aproveitam da imagem dos ídolos para campanhas políticas. O Brasil, conhecido como a terra do futebol, a “onda de simpatia” com dirigentes
assegurou sua impunidade. Recentemente, inovações da legislação pretendem impor
maior rigor na fiscalização da administração dos clubes de futebol.
Na
mídia, ao longo do Séc.XX, houve substituição do foco da idolatria. Dos líderes
políticos pelos astros/artistas e craques do desporto. Em meados do séc.XX, os
líderes políticos AINDA eram intocáveis. Emblemático o caso dos incômodos
sofridos por Bill Clinton, nos anos noventa, quase exorcizado num impeachment,
embora possa ser considerado celibatário comparado a alguns presidentes
americanos dos quarenta anos anteriores, quando a moral era muito mais
rigorosa. Marilin Monroe, glamurosa musa do cinema,
era só uma das muitas “conquistas” de
J.Kennedy que tantas tinha, que a desprezou e, dizem, essa rejeição teria sido estopim do suicídio. Tens registro
de criticas aquele Presidente? Não! No Brasil, recuando algumas décadas, também
teremos exemplos “gritantes”.
Políticos tornaram-se reféns da simpatia da mídia, que detém o poder de criar e destruir
lideranças, de um dia para o outro. A interação entre mídia e futebol
potencializa essa influência. Também pudera, veja ao ponto que chegamos na inversão de valores: Um juiz é responsável por decidir a vida, a
liberdade e o futuro de cada um, e suas decisões afetam ou podem afetar milhões
de pessoas. Mas se chegar a receber (bruto) vinte
mil reais mensais (o que dá menos de doze
líquido) é criticado por ganhar
muito, porque nosso país é pobre, etc.
Há movimentos para retirar a aposentadoria integral, vitaliciedade, e outras
garantias dos magistrados. Nem parece o mesmo país onde alguns jogadores, não
raro semi-analfabetos e de comportamento reprovável,
ganham 100 mil ou mais por mês... Ou onde cartolas faturam milhões em negócios,
e deixam clubes falidos... Que país é este ?
O futebol se alimenta da idolatria, a qual se nutre da paixão do esporte.
Equilibrando-se entre os dois fomentos, o torcedor, cuja vida – não raro
repleta de sacrifícios, percalços e dissabores,
transforma-se num piscar de olhos em que a bola segue em direção do gol.
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