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Para realizar grandes sonhos [ necessitamos grandes sonhos. [Hans Seyle]

 

A  Idolatria  não apenas no Futebþl

Observe algumas das 50 personalidades mais importantes na história do Futebþl.     Note:    Muitos são notórios mas outros, tão ou mais importantes, esquecidos... Por que uns são conhecidíssimos e, de outros, nem se ouve falar ?

A idolatria impregna toda nossa sociedade. Uma breve análise do desporto auxilia a compreendê-la:

Pelé todos o conhecem. Marcou 1282 gols. Rei do Futebol  e, por tabela, do esporte. Unanimidade como jogador mais talentoso de todos tempos, exceto para os Argentinos. Tornou um time do interior paulista, o Santos, e sua cidade, mundialmente conhecidos.

Artur el tigre Friedenreisch  marcou 1329 gols, 47 mais do que Pelé.   A estatística é criticada porque a prática desportiva daquela época (nasceu em 1892, filho de alemão com brasileira) pode ser considerada amadora comparada aos padrões atuais e a maioria dos aficionados nunca ouviu falar dele porque não há mídia.

Maradona fez apenas 311 gols, mas é um dos mais famosos porque caiu nas graças da mídia, apesar de seus hábitos pouco exemplares, de noitadas e bebedeiras, e até de consumir drogas. 2 de seus gols na Copa de 1986 ficaram notórios, um deles com a mão. Compare-o com o talentoso, mas desconhecido do grande público, o recentemente falecido:

George Best considerado o mais talentoso jogador britânico de todos tempos. Desportistas consagrados como Pelé considerando-no incomparavelmente melhor atacante que Dieguito. Ao tempo do maior sucesso do quarteto musical inglês, sua popularidade no Reino Unido o tornou carinhosamente conhecido como o “BeatleMas, por hábitos idênticos aos de Dieguito pouco exemplares, de noitadas e bebedeiras, e por jogar na Irlanda do Norte, politicamente incorreta, sofreu discriminação da mídia e não se tornou conhecido do grande público mundial. Compare esse ostracismo com a popularidade internacional de outro inglês, cujo talento era muito inferior:

Sir Bob Chalton caiu nas graças da mídia e se tornou mundialmente conhecido, chegando a ser condecorado cavaleiro do Reino Unido (knighted by the Queen). Compare com:

Josep “Pepe” Bicas  pouco conhecido, mas considerado um dos melhores atacantes de todos os tempos. Em 1934, com vinte anos, destacou na Áustria e foi para o Slavia Prague onde, em 1938, caiu no ostracismo e foi sufocado pela antipatia dos comunistas tchecos ao individualismo.

 

Talentos individuais x Equipe

Em 1982 a equipe da Itália pilotada por Paolo Rossi eliminou nas oitavas de final o controvertido “futebol entretenimento” do treinador Telê Santana, que contava com uma constelação de craques como Falcão, Sócrates, Eder, Júnior e Zico então considerado sucessor de Pelé. A derrota pesa nos ombros daquela geração da equipe considerada a que reuniu a maior quantidade de talentos individuais.

Anos depois, o Brasil não possuía tantas estrelas, mas conquistou duas Copas porque formou espírito de equipe taticamente organizada pelos técnicos. Em 1994, com Zagalo integrante da seleção bi-campeã 58/62 e técnico do Tri-1970, Parreira conquistou o Tetra, com o Capitão Dunga, Romário e Bebeto.

Em 2002, o técnico Felipão trouxe o Penta. Havia os dois Ronaldos e Rivaldo, mas em ambas vitórias os talentos individuais não se comparavam com de outras seleções que não venceram ilustrando a importância do entrosamento da equipe.

Alfredo Di Stefano divide com o francês Michel Platini o título da crítica de jogadores “mais completos”, especialmente na simpatia da mídia. Mas no que iniciou pelo River Plate, passou pelo Milionários da Colômbia, mas se destacou no Real Madrid em ascensão para ser o melhor time do mundo. Foram 6 Copas dos Campeões da Europa da UEFA, numa equipe repleta de craques como do também argentino Jorge Valdano, do Mexicano Hugo Sanchez, de F.Puskas e Francisco Gento, comprovando a importância da equipe. Consultoria Deloitte & Touchein”  Revista VEJA, editora Abril, ano 32 n.22, 2 de junho 1999. p.122, ainda apontava o MANCHESTER UNITED (Grã-Bretanha) com 140 milhões de dólares, como a equipe de maior faturamento no mundo, mas vinha perdendo terreno no chamado Clube dos Ricos para as equipes espanholas e italianas: BARCELONA (US$ 94 milhões) e REAL MADRID (89)  e JUVENTUS (85). No ano seguinte, Revista World Soccer indicava que o Real Madrid havia superado o Manchester, terminando o ano de 2002 como o clube mais rico do mundo, com rendimento da ordem de US$ 300 milhões. Mas a seguir, por conta da crise decorrente da transformação dos clubes em sociedades comerciais, o do futebol Espanhol perdeu espaço e o clube bretão reassumiu a liderança.

Franz BeckenBauer chegou a participar em uma mesma Copa como atleta e técnico, mas contou com auxílio de craques como Lotthar Mathaus e Jurgen Klinsmann para tornar o inexpressivo Bayern Munich em potência mundial. Como reconhecimento, em 2001 foi eleito presidente do clube.

 

Johan Cruiff em 1974, com a equipe holandesa “Laranja Mecânica” introduziu o conceito do “futebol total” - atacar e defender em bloco. O futebol equipe assegurou muitos títulos ao Ajax: Mundial Interclubes, 7 Copas Holandesas e 3 Copas dos Campeões UEFA seguidas.

Por falar em Equipe... A do Brasil de 1970 é considerada a mais eficiente de todos os tempos. Também pudera: Felix, Carlos Alberto Silva, Brito, Rildo, Everaldo, Clodoaldo, Jairzinho, Tostão, Pelé, Gérson dos incríveis passes de 60 metros, e Roberto Rivelino autor do gol mais rápido da história aos 3 segundos e Record de 91 partidas pela seleção brasileira.

 

 

Idolatria x discriminação racial

O Uruguaio José Leandro Andrade possui um recorde dificilmente igualável, com 3 medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos de 1924 e 1928 e na Copa de 1930. Mas como o primeiro negro num desporto então dominado pelos brancos, praticamente não é lembrado.

Leonidas “diamante negro” da Silva vendo a bola chegar alto, de costas para o gol aproveitou sua flexibilidade para aplicar uma das jogadas mais bonitas do futebol, a bicicleta. Não foi o inventor, mas quem popularizou, tornando-se lendário. Em 1938 na Copa do Mundo da França foi artilheiro e considerado melhor jogador. Suas jogadas eram tão encantadoras que a mídia “esquecia” o fato de ser negro, numa época que o esporte era dominado pelos brancos. Veja mais sobre a história desse grande craque e sobre a discriminação racial clicando aqui à þ

Didi foi autor do 1º gol no Maracanã, em 1950, mas foi preterido na seleção que perdeu a Copa daquele ano porque era negro. Sua genialidade foi confirmada duas Copas depois, em 58 e 62, originando as jogadas finalizadas por Garrincha, Pelé e companhia.

Alcides Ghiggia notabilizou-se no passe que permitiu o gol de empate e por marcar o gol da vitória de virada de 2x1 contra o Brasil. Mas Roque Maspoli que era negro num esporte então dominado pelos brancos nunca é lembrado,  apesar das excelentes defesas. Bastaria apenas um erro do goleiro do Uruguai e o Brasil teria sido vencido a Copa de 1950 (com empate o Brasil seria campeão por pontos).

Just Fontaine continua recordista de gols em Copas; em 1958 fez 13 gols pela França, mas não evitou a derrota para o Brasil na semifinal, e caiu no esquecimento.

Antonio Carbajal é recordista com 5 participações em Copas Mundiais de 1950 a 1966. Em 1962, como Capitão do México, levou a equipe a sua 1º vitória em Copas, contra a Tchecoslováquia. Como os anteriores, caiu no esquecimento... Compare com...

Roger Milla que estreou na Copa de 1982 onde Camarões terminou invicto. Em 1994 nos EUA jogou contra o Brasil nas semifinais e, na disputa de 3º lugar com a Rússia, marcou gol aos 42 anos, recordista em idade! Nascido na época certa, quando politicamente correto prestigiar a raça negra e povos africanos (penitência por séculos de opressão?), tornou-se muito mais conhecido do que ensejaria seu talento se defendesse países europeus.

 

Mídia e intere$$e financeiro

Alan Shearer será sempre lembrado pelas cifras de 24 milhões de dólares pagos pelo New Castle ao Blackburn por seu passe. Muito ?    

Zinedine Zidane vale mais do que seu peso em ouro:  Real Madrid pagou 70 milhões de dólares ao Juventus por seu passe em 2001. Como a necessidade de pagar “passe”, valor fixado pelo clube de origem do jogador, deixou de existir, parecia que a história das somas fantásticas terminaria por aí. Quem acreditou que indenizações por rompimento do contrato antes do prazo jamais chegariam próximos aos valores do passe se enganou. Em março de 2005 o bilionário russo Roman Abramovich do time inglês Chelsea ofertou 100 milhões de dólares por Ronaldinho Gaúcho. O Barcelona recusou a oferta porque era pouco:  O ex-atacante do Grêmio aumentou a procura por ingressos e o clube catalão cresceu 37% sua arrecadação; o jogador é apontado como principal fator na negociação em valores 55% superiores ao anterior no contrato com a TV; também é chave na expansão para os mercados asiáticos. Quer dizer: O clube ganhará muito mais do que cem milhões de dólares mantendo o jogador na equipe durante o restante do contrato. Tenha uma idéia do que Ronaldinho anda fazendo no futebol europeu assistindo um vídeo de 6 minutos e meio com uma seleção de seus lances clicando aqui J

Alguns famosos, outros ilustres desconhecidos.          Nenhum deles, nem suas seleções, foram responsáveis pela aplicação da maior goleada na história de Copas, incluindo eliminatórias.          Em 11/4/2001 a seleção Australiana venceu a de Tonga por incríveis 22x0.  Muito ?            Dois dias depois, enfrentando a seleção da Samoa Americana, a Austrália aplicou inacreditáveis 31x0, a maior goleada na história de Copas do Mundo.               Na semana seguinte, a mesma Austrália foi eliminada das eliminatórias da Copa pela seleção do Uruguai, vencedora da “repescagem” do continente Sul Americano.      Pois a direção da FIFA decidiu acabar com a repescagem no Sul Americano e a partir da Copa de 2006 passa a haver uma vaga para a Oceania. Quer dizer: A Austrália, que não tem e não terá durante as próximas décadas qualquer adversário naquele continente,  desfrutaria de vaga permanente e garantida nas Copas do Mundo. É mole ? Responda rápido: Quando essa vaga custou ? Mais tarde, a Fifa voltou atrás...

 

Por que futebol atrai as massas ?

 Violência motivada pelo clima de estresse e tensão da Revolução Industrial.  A industrialização da Inglaterra provocou grandes concentrações de trabalhadores:  Ao contrário do campo, onde caminhavam muito, caçavam, pulavam, corriam, etc, nas cidades acumulavam energia. As populações começaram a se concentrar próximo às fábricas onde as condições de vida e de trabalho eram dantescas, com jornadas desde o raiar do dia até a última luminosidade. A população crescia, e as condições pioravam, devido ao aumento da oferta de mão de obra. As fábricas apresentavam clima tenso. Os pais, fatigados, carregavam esse “clima” para suas casas. Essa tensão social traduziu-se na violência que os filhos passaram a levar para as salas de aula e as ruas. As escolas sofriam evasão dos estudantes e a agressividade dos que ficavam, depredando e ateando fogo nas salas de aula. Os educadores tentavam incentivar a prática de esporte para ocupar o tempo e descarregar energia dos estudantes. Mas só lograram sucesso nos jogos com bola. Fáceis de entender e praticar e  empolgantes. Chutar uma bola é fácil, divertido e a dinâmica do jogo é compreensível, e  a atividade  descarrega a agressividade.

Mas os jogos coletivos com bola eram proibidos, há séculos. Houve duas conseqüências: 1º Deixou o “Renascimento” do Futebol apátrida, porque, temendo represálias ao incentivar uma prática proibida pelo Rei, o professor que teve a idéia não reivindicou a paternidade da prática que, em curtíssimo espaço de tempo, disseminou-se por todas Escolas. Em 2º lugar, o fato de ser proibido facilitou a tarefa de empolgar os jovens com o futebol, porque saciava suas rebeldia: Ao jogar estavam se rebelando contra a proibição oficial! Quando alguma atividade é oprimida por proibição legal ou discriminação moral, provoca uma força potencial contrária. Há vários motivos, como: 1º fascínio do proibido;  simpatia às causas dos oprimidos. A força potencial contra a repressão agiganta-se até vencer a repressão, e quando ocorre, os pratos da balança desequilibram-se para o outro lado: A força necessária para superar a inércia (tendência de permanecer como está) não permite encontrar imediatamente o ponto de equilíbrio porque conduz a situação ao lado oposto. Podemos denominar esse momento de “abuso reverso” à repressão. É abuso porque os interessados na prática, antes reprimida, até então vítimas da opressão, invocam essa condição contra qualquer movimento contrário e, não raro, usam de subterfúgios para manipular a opinião pública em seu favor . Podemos compreender esse fenômeno com exemplos da história recente, como em alguns aspectos da revolução sexual:

Concubinato. Marginalizado até a década de setenta passou à consagração na Constituição de 1988 seguida, em 1994, por legislação não ponderada, gerando insegurança: Solteiro, separado ou divorciado corria risco de se tornar réu em ação de partilha de bens e alimentos após o fim de um breve namoro porque a imprecisão legislativa ensejava interpretações estelionatárias de que qualquer relação seria união estávelexpressão, aliás, imprecisa e infeliz porque união alguma é estável, nem usando cola epóxi. Estáveis são as fusões. Isso acelerou a revolução dos padrões de comportamento. Para prevenir incômodos, muitos  passaram a evitar relacionamentos monogâmicos, estimulando multiplicidade de parceiros e um novo hábito: “ficar”, os “quase namoros” e relações de carinhos efêmeras entre amigos ou desconhecidos. Isso acelerou a queda do falso moralismo. A sexualidade, reprimida durante séculos, descambou em libertinagem. Mais recentemente, ocorreu o contra-fluxo, o movimento pendular em direção contrária: Adolescentes preservando-se e mantendo a virgindade até mais tarde. Nesse “caldeirão social” em busca do equilíbrio moral surge outro conceito, impreciso e também fonte de insegurança e discussões: assédio sexual.

Pesquisadores da Universidade de Southampton, na Inglaterra, e da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, liderados pelos professores Mark Hanson e Peter Gluckman, descobriram que a primeira menstruação entre as garotas do Paleolítico chegava entre os 7 e os 13 anos. Durante séculos, as doenças e a má alimentação retardaram a puberdade feminina. As condições modernas de higiene e nutrição, além da evolução de medicamentos, permitiram que a menstruação das meninas do século 21 voltasse ao seu ciclo original. Só que, diferentemente das mulheres paleolíticas, as meninas de hoje se tornam férteis antes de estarem com a “cabeça” pronta para se comportar como mulheres adultas. A sociedade se tornou mais complexa, e as maturidades sexual e psicossocial entraram em ritmos diferentes. “O nosso sistema social funcionava sob a premissa de que os dois tipos de maturidade coincidam. Mas isso não é verdade e nunca mais será, porque não podemos mudar a realidade biológica. Temos que elaborar um novo tipo de estrutura – educação escolar, por exemplo – para lidar com essa realidade”. Pela primeira vez em 200 mil anos, a espécie humano tornou-se sexualmente madura antes de estar psicologicamente preparada para agir como adulto na sociedade. Tudo isto reforça a onda da “contra” revolução-sexual do início do século XXI.

A “opressão social oscilante” e seus efeitos são observados em outros aspectos da sexualidade como o homossexualismo. Venerado pela civilização Grego-Romana até o século VI quando o Cristianismo dominou o Império Romano e impôs uma nova “moral” criticada como falsa sob acusação de esconder reais objetivos. O homossexualismo passou a ser reprimido e discriminado, durante 16 séculos. Ilustra o grau de  repressão o genocídio dos Incas. Apesar de reprimirem o homossexualismo, foram dizimados porque ferrenhos cristãos espanhóis acreditavam estar diante de tribos Maias, habitantes do antigo México, os quais praticavam o homossexualismo.      Após 16 séculos de repressão, as três últimas décadas do século XX viram o homossexualismo ocupar espaços culturais, sociais e políticos,  exageradamente ao ponto de, em determinadas atividades ou meios,  o heterossexual ser discriminado. No início do século XXI, começa a desaparecer o “abuso reverso”, e a preferência sexual passa a ser vista como um componente da privacidade, e como tal respeitado.

Outro aspecto revelador do “movimento pendular da opressão ao abuso” foram as relações de Consumo. No Brasil, até o final dos anos oitenta, eram fabricados e vendidos produtos defeituosos, não raro perigosos. Montadoras aproveitavam maquinário e  caríssimas matrizes de aço descartados nos países mais avançados quando surgiam novas tecnologias para, no Brasil, produzir e vender produtos notoriamente ultrapassados. Raros consumidores arriscavam ajuizar ações, caríssimas e demoradas. A maioria ou quase totalidade dos que tentavam perdiam a demanda e ainda suportavam elevados custos de advogado, perícia, etc. No início da década de 90 inicia a revolução pelo Código do Consumidor (um dos legados da era “Collor” veja detalhes em www.padilla.adv.br/ética/idolatria) criando a “possibilidade” do Juiz inverter o ônus da prova pela presunção de que o consumidor dispõe de poucos recursos comparado ao fornecedor. Encantados pelos céleres, gratuitos e informais procedimentos da Lei 9.099/95, muitos consumidores exageraram nos reclames formulando pedidos de indenização nos quais nada precisavam provar. Na esteira de simpatia com “o pobre do consumidor que não tem como defender seus direitos” empresas sérias amargaram  condenações vultosas por supostos prejuízos e muitas tiveram tantos prejuízos que fecharam as portas

Outra "onda" ilustrativa do “movimento pendular” é a do dano moral pedido em geral sob amparo da Assistência Judiciária. Havia resistência, no Brasil, ao deferimento do dano moral. Salvo hipótese de morte, era negado. Essa situação alterou-se com a nova sistemática constitucional (art 5º V e X da CF) imposta em 5/10/1988, ensejando uma onda de condenações exageradas. No segundo momento, a força contrária começou a vencer e, passada uma década, começaram indenizações pífias. No JEC Juizado Especial Civil, indenizações ínfimas passaram a acontecer sob o argumento de que a alçada do JEC seria de quarenta salários mínimos (art. 3º I da Lei 9099/95), e sob a falácia de um valor máximo que poderiam arbitrar para uma indenização para falecimento, passaram a “tarifar” com valores aviltantes outras ocorrências, com quantias de um a dez salários mínimos. Trata-se de um sofisma, primeiro porque o JEC pode decidir questões além de quarenta salários mínimos, aliás, de qualquer valor, nas hipóteses do art. 275 – II do CPC, que incluem, “causas, qualquer que seja o valor” em acidentes de trânsito terrestre e respectivos seguros (art. 275, II,  d) e e), do CPC c/c art. 3º, II, da lei 9009/95) ou de honorários profissionais liberais, inclusive advogados (inc. f) do mesmo artigo). Ou seja: o JEC pode decidir indenizações ou cobranças milionárias... Assim, em caso de pedido de indenização por morte decorrente de acidente de trânsito a competência do JEC dá-se pelo inc. II, do art. 3º, da Lei 9099/95, e o valor da indenização pode ser arbitrado acima da limitação do art. 3º, I, da Lei 9099/95, não havendo porque tarifar com valores pífios outros casos de dano, exceto o desejo inconsciente de criar uma resistência à “onda” de indenizações vultosas por dano moral.

O STJ vem tentando impor limitações aos valores excessivos corrigindo os avultantes, inclusive mitigando os rígidos critérios de admissibilidade do Recurso Especial. Veja mais a respeito em www.padilla.adv.br/teses/moral 

Com relação à  AJG, Assistência Judiciária Gratuita também houve modificações. Até 1950 os pobres, que não podiam pagar custas, não tinham acesso à Justiça, e esse foi um dos principais motivos para a criação da Justiça do Trabalho apartada, com regras próprias para custas. Veja mais sobre o tema no livro TGP em www.padilla.adv.br/teses. Com a Lei 1060/50, foi possibilitado o acesso à Justiça para quem não podia pagar as custas, mas com forte burocracia que causava espécie. Em 1985, com a desburocratização, simplificou-se o pedido, mas descambou num abuso. Mas as custas judiciais mais caras motivaram, cada vez maior parte dos autores a requerer Assistência Judiciária. Quase todos autores postulavam a isenção, criando um grave problema nas escrivanias privatizadas porque o trabalho aumentou e, com ele, os custos, mas a receita reduziu, porque quase ninguém pagava as custas, provocando penúria e prejuízo ao serviço. Com a Constituição Federal de 1988, sob pretexto de que teria introduzido uma modificação, iniciou-se um movimento contrário. Contrário à concessão. Em Porto Alegre, por exemplo, os juízes das varas cíveis reuniram-se informalmente para tentar uniformizar critérios, como o teto de dez salários mínimos de renda. Veja mais em www.padilla.adv.br/assistenciajudiciaria.mht..

 Postular com AJG é melhor do que jogar na loteria porque, se ganhar, é uma bolada, e as chances de ganhar são muito maiores que um sorteio de dezenas de milhares de números. E se perder, é "de grátis", porque não dispendeu nem o preço do bilhete... São milhares de ações ajuizadas todos dias, em grande parte aventureiras.

 O problema em todos esses fenômenos está na falta de equilíbrio. Há forças antagônicas digladiando-se. A que quer mudar e a que não quer, até que a primeira fica mais forte, e vence.  Depois, como há abusos, é a outra pode crescer, e a suplanta.  E ficamos nesse balanço, para um lado, e para outro, com dificuldades de encontrar o equilíbrio... Precisamos de mecanismos de controle que equilibrem as forças no interesse da tranqüilidade da sociedade. Esse papel deverá  ser exercido pelo Judiciário. Para isto, o juiz deverá colocar acima de tudo a necessidade de ser imparcial. O Juiz é um ser humano, integra um contexto social vivenciando fenômenos. Terá que se esforçar muito para ser totalmente imparcial. Do contrário, nem percebe que está “na onda”, olvidando sábia lição do art.5º da Lei de Introdução ao Código Civil: “Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum.”  Sem demagogia, hipocrisia, ou falso moralismo, a lei deve ser aplicada considerando os fins sociais que criaram a norma e as exigências do bem comum. Quer dizer, bom senso leva a reencontrar o equilíbrio. Aprofunde esse tema clicando aquiþ.

 Quase ao fim do séc.XIX, depois de 5 séculos de repressão contra o futebol, o meio social estava propício para seu renascimento em meio a um mar de simpatia popular turbinado por fatores como:

É barato.  Requer uma bola, um espaço de campo, dois jogos de trave, e dezenas de pessoas tem divertimento garantido.

Suas regras são fáceis, comparado a outros desportos, é mais fácil de praticar e entender.

Sua prática é divertida e favorece o espetáculo.  Acontecem jogadas bonitas, com beleza plástica, cativando quem pratica e prendendo atenção do expectador. O gol ou quase gol é o momento de maior emoção. Constate essa emoção num pequeno vídeo com 0,8 Mb clicando aqui ó  A vibração, a descarga tensional, e conseqüente bem estar, fazem o torcedor apaixonar-se pelo esporte.

Futebol pode ser jogado com fair play, sem produzir lesões, o que atrai o apoio dos pacifistas. Mas eventualmente acontecem jogadas violentas, contrariando as regras e objeto de punição, e sua ocorrência facilita a simpatia de quem está com a agressividade à flor da pele.

Pode ser praticado em qualquer idade.

Esporte de equipe.  Muitos se tornaram ídolos porque contaram com uma equipe e, não raro, sequer eram os melhores. Apenas conquistaram simpatia da mídia e, através desta, do público. Mas outros, tão bons ou até melhores, são ilustres desconhecidos porque integravam equipes menos importantes, ignoradas pela mídia e foram discriminados.

A equipe permite uma idolatria permanente, com as cores do time e com o local.  Desde 1993 a Lei Zico já atribuiu aos clubes a propriedade intelectual de seus símbolos (o hino, o uniforme, etc.), regra reiterada na Lei Pelé. A Equipe é fundamental. O torcedor identifica-se com a Equipe. Veja o que aconteceu com o Manchester United - clube discriminado e pouco conhecido até que, em 1958, 8 de seus jogadores faleceram num acidente aéreo  e o fato virou manchete em toda Europa, até pela dúvida razoável se a equipe persistia existindo. A exposição e a simpatia provocados pelo acidente provocou uma reviravolta, dando início a uma nova fase na qual o clube passou a ocupar uma posição de destaque na mídia e a conquistar cada vez mais torcedores fora da sua cidade, crescendo em importância até que a mídia “esqueceu” a discriminação e o espaço ocupado se tornou permanente. O clube não parou de crescer até se tornar o maior do mundo em faturamento, posição ocupada por muitos anos até 2001.

O chamado Clube dos Ricos, Times com maior faturamento no mundo em milhões de dólares:

Manchester United (Reino Unido) 140;

Barcelona (Espanha) 94;

Real Madrid (Espanha) 89;

Juventus (Itália) 85;

Dados da Consultoria Deloitte & Touche (Revista VEJA, ed. Abril, a.32 n.22, 2/6/1999. p.122)

Posterior levantamento publicado pela Revista World Socce revelou que o Real Madrid terminou o ano de 2002 como o clube mais rico do mundo com rendimento de U$$ 300 milhões. Mas a legislação espanhola que provocou a transformação dos clubes em empresas gerou crescente crise no futebol daquele país e, embora Real Madrid e Barcelona não tenham alterado seus regimes jurídicos, persistindo como associações civis, foram atingidos indiretamente pela crise geral do futebol espanhol e sofreram redução do faturamento. Dados do ano de 2004 indicaram que o Manchester United recuperou o podium.

Em 2006, o Barcelona, aproveitando a excelente fase de Ronaldinho Gaúcho,  aumentou seu faturamento desbancando o time bretão.

 

A mídia promove. A mídia contribuiu para popularizar o futebol e, como este mexe com a paixão, desperta interesse, torna-se um manancial inesgotável de assuntos novos, fofocas, novidades, etc., a cada dia, o que auxilia a vender os jornais, a atrair ouvintes para as rádios, telespectadores para a TV, e a vender espaços de publicidade. A imprensa desportiva especializou-se e o esporte ocupa espaço permanente. Mídia e esporte não manteriam sua grandiosidade, um sem o outro.

Nascimento de uma nova classe social, os Cartolas, que aproveitou da propagação do futebol. Cartola era originalmente o “chapéu alto”, de copa elevada e cilíndrica que, em conjunto com o fraque, era utilizado em situações extremamente formais. No século XIX, como registrou Machado de Assis, o espírito popular criticava esse chapéu, apelidando-o de “chaminé”, “canudo” ou de “cartola” - variante de “quartola”, nome de uma medida para líquidos: uma pequena pipa correspondente a um quarto de tonel, com a qual o chapéu se parecia. Nas caricaturas da imprensa, a cartola e o charuto compunham a figura dos novos-ricos e magnatas. Ironicamente, passou a denominar a classe dos dirigentes que enriqueceram administrando os cada vez maiores recursos dos clubes de futebol.

O futebol demorou a despontar nos Estados Unidos porque, após a quebra da Bolsa em 1929, seguiu-se uma depressão econômica na década de 30 e o Futebol, considerado desporto não americano, foi discriminado: Perdeu espaço na mídia, apoiadores, e público. Quarenta anos mais tarde, quando intentaram ressuscitar a Liga, os cartolas (de outros esportes) encontraram outros esportes como o beisebol, o futebol americano, o basquete, o hóquei no gelo, o tênis e o golfe, estruturados e ocupando espaços na mídia, investidores, e aficionados. Mas a partir do final do Séc.XX, em razão do incremento de sua prática pelas novas gerações, especialmente pelas mulheres nas escolas, o futebol começa a ocupar cada vez mais espaços nos EUA.

Os governos promoveram o desporto.  Na Inglaterra, depois de séculos de repressão, tanto governo quanto a Igreja e demais lideranças passaram a propalar necessidade dos cidadãos terem saúde, que o esporte proporcionava, incentivando sua prática, ao perceberem tratar-se do melhor mecanismo de controle social. Modernamente, os governos utilizam o esporte para auxiliar a controlar a tensão popular:   Adotam medidas antipáticas quando o povo está emocionado com vitórias em competições, e aproveitam da imagem dos ídolos para campanhas políticas. O Brasil, conhecido como a terra do futebol, a “onda de simpatia” com dirigentes assegurou sua impunidade. Recentemente, inovações da legislação pretendem impor maior rigor na fiscalização da administração dos clubes de futebol.

Na mídia, ao longo do Séc.XX, houve substituição do foco da idolatria. Dos líderes políticos pelos astros/artistas e craques do desporto. Em meados do séc.XX, os líderes políticos AINDA eram intocáveis. Emblemático o caso dos incômodos sofridos por Bill Clinton, nos anos noventa, quase exorcizado num impeachment, embora possa ser considerado celibatário comparado a alguns presidentes americanos dos quarenta anos anteriores, quando a moral era muito mais rigorosa. Marilin Monroe, glamurosa musa do cinema, era só uma das muitas “conquistas” de J.Kennedy que tantas tinha, que a desprezou e, dizem, essa rejeição teria sido estopim do suicídio. Tens registro de criticas aquele Presidente? Não! No Brasil, recuando algumas décadas, também teremos exemplos “gritantes”. Políticos tornaram-se reféns da simpatia da mídia, que detém o poder de criar e destruir lideranças, de um dia para o outro. A interação entre mídia e futebol potencializa essa influência. Também pudera, veja ao ponto que chegamos na inversão de valores:    Um juiz é responsável por decidir a vida, a liberdade e o futuro de cada um, e suas decisões afetam ou podem afetar milhões de pessoas. Mas se chegar a receber (bruto) vinte mil reais mensais (o que dá menos de doze líquido) é criticado por ganhar muito, porque nosso país é pobre, etc. Há movimentos para retirar a aposentadoria integral, vitaliciedade, e outras garantias dos magistrados. Nem parece o mesmo país onde alguns jogadores, não raro semi-analfabetos e de comportamento reprovável, ganham 100 mil ou mais por mês... Ou onde cartolas faturam milhões em negócios, e deixam clubes falidos... Que país é este ?

O futebol se alimenta da idolatria,  a qual se nutre da paixão do esporte. Equilibrando-se entre os dois fomentos, o torcedor, cuja vida – não raro repleta de sacrifícios, percalços e dissabores,  transforma-se num piscar de olhos em que a bola segue em direção do gol.

Complete a visão da Idolatria com:

A meteórica história do Futebol popularizado em poucos anos clique aqui ó

A origem da idolatria nos Jogos Olímpicos clique aqui ó

A idolatria na política clique aqui ó

 

Aperfeiçoando-se para construir 1 Mundo Melhor

Viva muito mais  e  melhor :

Preserve a saúde física com vitaminas e aminoácidos.      Saiba o que a indústria (da doença) oculta de você clique aqui R

Proteja seu pensamento e sua energia.  Aprenda como funciona o poder e se liberte da manipulação clique aqui N

 

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