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Para realizar grandes sonhos [ necessitamos grandes sonhos. [Hans Seyle]
MÉTODOS DE ENSINO E TÉCNICAS DE
TREINAMENTO NA APRENDIZAGEM DO KARATE
KARATE NI SENTÊ NACHI
O Karate nunca agride primeiro
Funakoshi Guichin
1. INTRODUÇÃO
O karate
no Ocidente, e especialmente nas Américas, teve um grande desenvolvimento devido
ao entusiasmo dos jovens nesse tipo de luta.
A iniciação do ensino do karate se deve a emigrantes japoneses que aqui vieram para
trabalhar nas mais variadas profissões. Alguns deles, com um vago conhecimento
da arte do karate que haviam treinado em seu País de
origem, nas suas demonstrações, feitas com muito entusiasmo, despertaram a
curiosidade dos nossos jovens, alcançando um grande sucesso. Isso fez com que o
karate no Ocidente e especialmente nas Américas
tivesse bastante sucesso, mesmo sendo desenvolvido de forma empírica e com
pouca teoria.
Os nossos mestres dependiam de uma
autorização do EMBU DOJÔ (Dojô Central) no Japão para
ministrar aulas, onde registravam o maior número possível de alunos, pois dessa
forma aumentavam o seu prestígio pessoal
com as organizações de karate japonesas da qual eles
faziam parte, tornando-se um “representante do estilo”. Assim, para aumentar o
número de adeptos formavam um faixa preta o mais rapidamente
possível, mesmo quando estes não
tinham condições técnicas.
O culto ao faixa preta foi o principal
responsável em produzir um vazio mental na maioria dos karatecas
do passado, provocando a tendência a fomentar a imitação cega e a aceitação de
frases já digeridas. Na realidade, isso desmotivou completamente a reflexão individual, pois
fazer perguntas a um faixa preta era considerado uma
impertinência, quase um sacrilégio.
O título de “faixa preta” chegava parelha
a idéia de que quem o era tinha algum tipo de união mística com o poder
universal. Por isso, as afirmações de um faixa preta
eram sempre aceitas, mesmo quando estavam completamente equivocadas. Para o bom
karateca e para o bem do karate,
é necessário que termine essa atitude de aceitação passiva.
Devemos entender que um
faixa preta é sempre um sinal de eficiência pessoal no que se refere a
dar socos e chutes, porém, isto não tem nenhuma relação com a capacidade dessa
pessoa como professor (mestre), isso não é um indicador de seus conhecimentos
teóricos.
Atualmente, com o aperfeiçoamento dos
treinamentos, pode se formar em dois ou três anos um faixa
preta. O que podem saber essas pessoas do karate
em geral? E isso também não diz nada dele como pessoa, pois um
faixa preta pode ser tão imaturo como um faixa branca.
A capacidade de um homem como professor,
treinador ou como dirigente esportivo deve ser julgada unicamente a partir de
seus méritos pessoais, pois um título que depende de uma habilidade muito
especial, não pode substituir o conhecimento e a integridade pessoal. Assim
sendo, um homem deve ganhar a sua posição e respeito baseado em seus esforços
incansáveis, tanto no Dojô como fora dele.
O karate
oferece uma grande oportunidade de auto-expressão e se uma pessoa alcança um
nível elevado nesta auto-expressão ganhará respeito por esse esforço, supondo
que tenha sido sincero, humilde e desinteressado. O karate
necessita dessa classe de homem. Esperamos que os encontre.
2. MÉTODOS DE ENSINO E TÉCNICAS DE TREINAMENTO NA
APRENDIZAGEM DO KARATE
O primeiro trabalho de um professor de karate é aprender como apresentar seus conhecimentos a seus
alunos da melhor forma possível, pois deve haver sempre um método de ensino
definido no qual o professor tenha confiança.
A confiança se desenvolve com o saber,
mas o conhecimento deve ser geral e de
forma que abranja a todas as coisas.
Se uma pessoa se propõe a ensinar, deve
primeiramente aprender as metodologias de ensino e como aplicá-las
conscientemente, pois estas lhe serão de muita utilidade, e o ajudarão nas
dificuldades que poderão aparecer na primeira vez em que se encontrar diante de
uma classe de alunos. Gradualmente: a experiência, a aplicação de conhecimentos
e a imaginação farão com que o instrutor construa seus próprios métodos, porém
até que chegue a esse estágio, o que se segue pode ter utilidade.
Daremos uma rápida vista no processo de
aprendizagem, pois dar uma relação completa dos argumentos das diferentes
escolas psicológicas, as quais pretendem explicar o que é aprender, seria um
objetivo muito ambicioso. Por isso, será feita uma breve descrição das duas
principais escolas ou correntes, que por razão de utilidade são de aplicação
mais conveniente ao ensino do karate e do movimento
técnico, sendo denominadas PERCEPÇÃO A POSTERIORI E REFLEXÃO.
A Percepção a Posteriori
(Automatista) trata do tipo de aprendizagem baseada
no processo de prova e erro (errando se aprende). Enquanto que, Reflexão (Gestalt) trata de
aprendizagem por meio da aplicação do conhecimento e da experiência a um
problema específico.
O ensino e a aprendizagem existem desde o
nascimento do homem, mas somente no começo deste século (1900) é que se começou
a fazer um esforço maior e consciente para descobrir exatamente suas
implicações.
Grandes expoentes da escola Automatista são Pavlov com suas experiências com cachorros
e Thorndike com gatos, cujas teorias sobre
aprendizagem exerceram por muitos anos uma grande influência sobre os métodos
de ensino.
Os resultados das experiências com gatos
e cachorros induziram a postular que: os animais aprendiam com tentativas e
através da repetição diminuíam os erros, não importando em absoluto a reflexão
e nem a compreensão inteligente do problema global.
Na década de 1920 desenvolveu-se uma
oposição a essas idéias. Um dos opositores foi Wolfgang Kõhler
que juntamente com outros fundou a escola Gestalt (em
alemão, forma ou modelo).
Kõhler afirma que Thorndike
conseguiu dos seus gatos os resultados que obteve porque os colocou em uma
situação antinatural (afirmava que um homem teria agido da mesma forma). Mas se
tivessem sido colocados problemas dentro da sua capacidade mental mostrariam
algum tipo de reflexão. “Coloque um problema que um animal possa ver no seu
conjunto e ele o resolverá com relativa facilidade e rapidez”.
1. Um
exemplo das experiências utilizadas por Thorndike é a
seguinte:
Colocou-se
alguns gatos em jaulas com comidas no exterior; ao encontrar e empurrar uma
alavanca os gatos puderam abrir uma porta e alcançar a comida. Registrou-se o
número de repetições necessárias antes que os gatos se dirigissem diretamente
para a alavanca.
2. Um
exemplo das experiências de Kõhler é a seguinte:
Colocou-se um chimpanzé dentro de uma
jaula com algumas canas de bambu e caixotes. A comida foi colocada no teto,
fora do alcance. O chimpanzé encontrou rapidamente a forma de empilhar as
caixas e usar as canas de bambu para alcançar a comida.
A
Percepção a Posteriori e Reflexão são igualmente importantes, mas quando o problema global
é percebido na sua totalidade se produz uma reflexão e o problema pode ser
resolvido com uma maior facilidade. Na atualidade, a denominação dada para a
Teoria da Reflexão é Método “Sintético-Analítico-Sintético
ou Global-Parte-Global” e para Teoria
da Percepção a Posteriori é “Analítico-Sintético” ou “Parte-Global”.
Resultados experimentais afirmam que o
método “Global-Parte-Global” é o melhor para iniciantes e o método “Parte
Global” é melhor para os alunos mais avançados.
Muitos professores de bom nível técnico,
mas que chegaram a esse nível a “duras penas” com muita prática e pouca teoria,
usam o método “Parte-Global” com os
alunos iniciantes, decompondo um golpe ou uma técnica em várias partes
distintas e ensinando ao principiante cada uma das partes, por exemplo: aonde
por o pé direito e o esquerdo; aonde deve ser colocada cada mão; como fazer um
passo nas posições de karate; etc.
Quando o aluno “dominar” todas as
partes, permitem-lhe que experimente o movimento global. Raríssimas vezes
mostram o movimento ou a técnica com a sua finalidade, pois o próprio instrutor
demonstra unicamente uma parte de cada vez.
Desse modo, o principiante não tem
idéia de que aspecto tem o produto final, e o resultado é uma progressão
técnica muito pobre, havendo trancos de movimentos a outros movimentos, tão
ineficazes como feios. Por isso, essa forma de ensino é mais apropriada para
alunos ou atletas que têm uma visão final do objetivo.
O método “Global-Parte-Global”
consiste em deixar o principiante
executar o movimento Global de uma técnica, tratando de imitar o instrutor que
demonstrou o movimento “global”, sendo que aqui o instrutor deve ser um bom
executante porque a imagem do movimento técnico vai ficar gravada na memória do
aluno.
Não importa
que o resultado seja pobre quando se consegue fazer “sentir” o movimento da
técnica em maior ou menor grau. Partindo desse ponto então o professor separa
as partes que acha que podem ser melhoradas e então retorna a colocá-las no
movimento global, antes que o global se perca de vista. O movimento global está
presente na mente a todo o momento, não se pode deixar que nenhuma “parte”
concreta assuma um papel dominante no desenvolvimento. Alem disso, deve-se
motivar cada pessoa que trata de realizar o global a sua própria maneira,
conforme o seu biótipo. Alem disso, a expressão da sua personalidade
(criatividade) se considera mais interessante que qualquer característica
imposta arbitrariamente por um instrutor.
Concluindo:
1. Para os alunos iniciantes é aconselhável o
método Global-Parte-Global (Reflexão).
2. Para os avançados é melhor o método
Parte-Global (Percepção a Posteriori).
3. O QUE É A TÉCNICA?
O seu significado pode variar
conforme o contexto, mas para o karate podemos dizer
que a técnica é uma sucessão de movimentos realizados para alcançar um objetivo
pré-determinado com a mínima quantidade de esforço e com o máximo
aproveitamento de acertos e regularidade.
Primeiro se deve entender o que é a
sucessão de movimentos, pois se quisermos melhorar o nosso movimento técnico
devemos repetir o Global, isto é, a sucessão completa de movimento, porém não
de uma forma inconsciente, visto que a transferência de uma técnica não é um
processo automático.
Muitas pessoas parecem estar
convencidas de que ao repetir com suficiente freqüência uma sucessão de
movimentos, estes se associarão de alguma forma para melhorar a técnica. Assim
sendo, supor um progresso automático por estar repetindo centenas de movimentos
é uma premissa muito duvidosa - “A
repetição ou a mera sucessão de movimentos tem pouca força, talvez nenhuma,
como causa de aprendizagem” (Thorndike). Da mesma
forma que se aprendem técnicas eficientes, pode ocorrer na repetição de se
acentuar o “erro”, principalmente quando ocorre a fadiga muscular. Basta
observar alunos ou atletas que se dedicam com excesso a fazer centenas de
movimentos para melhorar a técnica e conseguem, sim, mais resistência para
aquele movimento, mas o seu golpe geralmente é lento e falho no tempo e
distância quando da aplicação prática.
O bom professor deve controlar os
seus alunos e não permitir que façam o que querem. Muitas vezes o aluno não
entendeu e exagera determinados exercícios pensando que assim aperfeiçoará a
sua técnica, mas isso pode lhe causar riscos de lesões e nenhum aproveitamento
técnico. Desta forma, deve-se ter cuidado com o entusiasmo do jovem. Por
exemplo: o que ocorre com esse tipo de aluno é o que ocorre com quem se dedica
ao levantamento de pesos. Ver o aumento da força e o volume dos músculos é
muito mais fácil e aparente e a
motivação para esse tipo de exercício é maior. Agora, perceber o
aprimoramento de uma técnica é mais difícil e é aqui que se deve ter muito cuidado.
O professor deve estudar e
esforçar-se o máximo para que o aluno não perca a motivação, encontrando sempre
novos métodos e sistemas de treinamento com a finalidade de melhorar a técnica.
4. MOTIVAÇÃO
O professor deve ter muita habilidade
para manter o aluno motivado porque o êxito na aprendizagem é vital. O aluno
deve sentir que está melhorando tecnicamente e o professor deve aplicar-se ao
máximo nesse ponto.
Às vezes é bom demonstrar algumas
técnicas ou movimentos de kata com intenção de
induzir os alunos a maiores esforços. No entanto, converter a sua demonstração
em exibição pode causar um desconcerto nos alunos, pois aqueles que não conhecem
ainda a causa do aprimoramento técnico – que é adquirido com um treinamento intenso e adequado – estão
vendo somente o resultado final dessa dedicação e podem ficar convencidos da
absoluta falta de habilidade e condições de um dia poderem fazer o mesmo ou
ainda, de que quem está demonstrando tem algum dom especial.
O karate
tem uma motivação própria muito particular: a dos graus, exames de faixas de kyu e dan. Muitos esportes não
oferecem esse incentivo.
Enquanto que o karate,
além do prazer que propiciam os seus movimentos, proporciona os exames de promoção de faixa,
infelizmente um pouco deturpado pelos interesses comerciais de alguns
professores. Mas que, sem dúvida é a causa de muita gente trabalhar duro em seu
treinamento para conseguir a faixa seguinte, porém isso é uma faca de dois
gumes: se o aluno não consegue a faixa seguinte depois de uma quantidade de
esforços que o indivíduo considera normal (e quem sabe quanto é isto?), pode
ocorrer que perca o interesse e deixe o karate por
completo. Ou pior: alguns indivíduos fracassam nos exames de faixa preta, criam
as suas “organizações” outorgam a si mesmo o grau, ou passam para outras
“organizações” de estilo para obter a promoção. Infelizmente, isso ocorria
muito em um passado não muito distante. No entanto, hoje, com a fiscalização
das Federações em conjunto com a Confederação de Karate,
todos podem se habilitar aos exames e ter um julgamento justo
visto os parâmetros de cada um, como: idade, sexo, participação no
desporto, etc. Sem dever favor algum às “organizações de estilo”.
5. A COMPETIÇÃO
A competição, no contexto da
aprendizagem, significa normalmente uma motivação maior para o aluno seguir
melhorando a técnica, tanto no kumite como no kata.
A competição tem dois objetivos: um
é estimular a aquisição da técnica e o outro, é simplesmente manter o interesse
do aluno e evitar o aborrecimento.
Existe nas academias de karate um dogma comumente aceito que diz que: se uma pessoa
quer melhorar a sua técnica ou aprender a ser um bom lutador, deve praticar com
gente de grau superior ou de nível técnico elevado. Esse é um erro muito
grande.
Se a repetição de um movimento
técnico, desde que não excessivo como foi visto na questão técnica, é parte
essencial para se obter um bom golpe, e todas as autoridades estão de acordo
com isto, de que o golpe deve ser repetido com freqüência e êxito.
No entanto, se o treinamento é feito
sempre com alguém superior, dificilmente se conseguirá aplicar ou repetir o
movimento técnico proposto para o treinamento, pois o atleta de nível superior
não o permitirá. Se por um lado o praticante de nível técnico inferior pode
obter vantagens como melhorar a sua defesa, resistência e garra, por outro
lado, nunca melhorar a sua técnica de aplicação.
O atleta de nível superior quando
treina com um inferior às vezes deixa aplicar alguns golpes, isto não é
aprendizagem. Para melhorar a técnica, o aluno deve praticar com companheiros
de nível inferior ou igual a ele, pois somente desta forma poderá repetir a sua
técnica o suficiente para melhorá-la.
Cabe ao professor fazer entender aos
alunos que o jyu-kumite ou kumite
esportivo (com regras), nada mais é que uma forma de estudo das aplicações
técnicas e táticas do karate, e não um movimento de
fúria selvagem.
A diversão também é de muita
importância na aprendizagem, pois para que se tenha um ótimo nível de
aprendizagem, deve-se ter diversão em
seu processo.
Em algumas academias (dojôs) torna-se difícil entender o porquê das pessoas
praticarem karate, uma vez em que todos estão com a
“cara fechada” e o ambiente é depressivo. Naturalmente que deve haver
tranqüilidade, produto do esforço e concentração, porém isso não significa que
deva haver desânimo.
O jogo e a brincadeira têm um papel
importante na aprendizagem do homem. A teoria da catarse diz: “O jogo é
catártico em sua ação, isto é, facilita uma saída a certos
instintos e emoções reprimidas que não podem encontrar uma expressão direta
suficiente nem na infância e nem na vida adulta”.
Na vida civilizada, o instinto de
agressividade, por exemplo, não encontra um campo de ação suficiente, pois
somos lutadores por natureza e temos que lutar e é por isso que o homem
civilizado luta no jogo. Desta forma, qualquer jogo é um simulacro de combate
em que não tem derramamento de sangue, mas sem dúvida se libera a energia deste
instinto ao promover um canal para a sua expressão.
6. A IMPORTÂNCIA DA DEMONSTRAÇÃO
É
de muita importância a apresentação inicial quando se for utilizar o enfoque
global-parte-global para ensinar um golpe, e nesse caso deve-se lembrar o
seguinte:
a) Executar a demonstração o melhor possível. A
primeira imagem de uma técnica vista pelos alunos é de suma importância. Não se
deve fazê-la lentamente, pois querendo que os alunos captem a verdadeira imagem
do movimento ele deve ser feito dentro da velocidade e impacto do golpe; é
importante que os alunos gravem o movimento verdadeiro. Após isso poderá ser
feita uma demonstração lenta, mas deve-se sempre terminar com uma apresentação
rápida;
b) Quando pedir aos alunos que repitam o
movimento, deve-se verificar que o façam com velocidade. A velocidade é uma
parte da forma, portanto deve ser posta em relevo desde o princípio;
c) Não terminar uma aula com demonstrações
particulares. Deixe que os alunos tentem, mas cada um dentro da sua
possibilidade. O melhor a fazer é deixar que os alunos mais avançados
demonstrem a mesma técnica que o professor explicou, pois assim os demais terão
também uma imagem distinta em relação à apresentação do professor e a do executante. Se o professor
demonstrar todas as técnicas há o perigo de os alunos copiarem o seu método
pessoal em aplicar uma técnica, e isto não é conveniente. O que se deve
transmitir é a imagem geral do movimento e não o estilo pessoal cada indivíduo.
7. EDUCATIVOS
(Uchikomi)
O educativo de um golpe, comumente chamado
de uchikomi, ou seja, a repetição de um determinado
movimento para se criar um hábito correto para a aplicação de uma técnica, faz
parte das instruções de karate.
No entanto, um professor nunca deve
esquecer que a técnica ou a execução de
um golpe não é um hábito, pois o hábito requer conformidade a uma seqüência de
ações motoras já estabelecidas. Enquanto que no movimento livre de kumite os momentos quase nunca se repetem. Desta forma,
fazer centenas de repetições parados e depois querer que esse hábito adquirido
se repita quando se estiver em movimento é quase impossível.
É tarefa do treinador inventar situações que
produzam uma técnica eficiente adquirida a partir de um movimento fixo, ou
seja, o oponente fica parado quando do uchikomi, mas
no kumite livre isso não deve acontecer. Então, deve
haver educativos que se aproximem dos movimentos reais de luta, nos quais
especialmente o momento (tempo) e o espaço (distância) entre os dois lutadores
(o famoso MA-AI, tão falado quanto mal explicado) possam ser adquiridos para
transformar a técnica em um movimento de perícia.
8. EXPLICAÇÕES
A
capacidade de uma classe de alunos em aprender depende muito da forma como o
professor apresenta a instrução. Por isso, o professor deve estar consciente do
que explica e de como o faz. Os seguintes pontos podem clarear esse objetivo:
a) Se
tiver dúvidas, escreva-as. Quando o professor tem
pouca experiência será proveitoso escrever o que pretende explicar. Talvez não
chegue a utilizar o que escreveu, mas servirá para esclarecer
as suas idéias;
b) Ser
breve ao falar e observar para que não falte nenhum ponto. Não esquecer que os
alunos querem fazer karate e não ouvir um discurso;
c) Ser
conciso. O professor deve conhecer a fundo as teorias relacionadas com qualquer
técnica que pretenda ensinar. A confiança dos alunos no professor aumentará
enormemente se ele der a impressão de que conhece a matéria a fundo;
d) Mudar
o enfoque. Se os alunos não entendem uma forma de instrução, o professor deve
ter a capacidade de mudar as palavras, mudar o método, usar outra forma de
instrução e é aí que o conhecimento amplo de outras matérias pode ser útil. O
professor deve supor que é sua culpa se os alunos ou um aluno
não entendeu suas explicações. Talvez não seja assim, mas é uma hipótese
mais segura e realista. Portanto, deve modificar a forma de instrução até
conseguir que o entendam;
e) Não
ser irrelevante. Quando se ensina uma técnica, deve-se ser objetivo e ir direto
ao ponto. As informações acessórias podem ser interessantes em determinadas
circunstâncias, porém durante o período de aprendizagem de uma técnica, na qual
é necessária uma concentração plena, isso pode distrair e provocar confusão;
f) Não
pensar que os alunos já sabem algo determinado. Se os alunos são sempre os
mesmos isso pode acontecer. No entanto, sempre há algum aluno novo,
especialmente em academias ou até pode ocorrer de ter que dar aula a um grupo
novo como em cursos, ou ministrar aula para uma turma que foi orientada por
outro professor. Assim, explique sempre o que pretende e onde quer chegar;
g) Sempre
que possível utilizar o enfoque positivo na instrução e reduzir ao mínimo o
negativo. É preferível o uso do “certo” do que o “errado”. Uma das falhas dos
métodos antigos era que falavam muito “está errado”. Nesse contexto, o aluno
estava tão preocupado com o errado que acabava se esquecendo do certo;
h) Incentivar
a todos é importante. De um ponto de vista psicológico se deve incentivar os alunos em seus esforços. É
necessário fazer correções, o que implica dizer-lhe que está fazendo algo que
não é correto, porém aí o professor deverá estar junto do aluno até que acerte
e mereça um elogio. Não serve para nada dizer que está errado e ir embora.
9. UTILIZAÇÃO DA VOZ
A forma
como se diz as palavras são tão importante quanto o
significado das mesmas.
a) O
professor deve se assegurar de que os alunos estão escutando antes de começar a
falar. Para estar seguro que isso ocorra é conveniente usar algum tipo de
recurso auditivo, por exemplo: palmas ou um apito que indique aos alunos que
devem interromper o que estão fazendo e escutar. Evitar falar aos alunos
enquanto estão trabalhando, pois não vão escutar ou irá interromper a sua concentração;
b) Colocar
os alunos em uma posição em que todos possam ouvir facilmente. Isto significa
que devem estar todos em frente do professor, não em círculo, senão aqueles que
estão as suas costas terão dificuldade em entender o que está dizendo;
c) Falar
alto e claro: procure não murmurar. A experiência ajudará nesse aspecto. O
professor dirá o que quer dizer de forma clara e lenta com o mínimo de
interrupções;
d) Introduzir
variedade no ritmo e tom de voz. Não vacilar em dar um grito ocasionalmente, e
especialmente se os alunos diminuírem o ritmo do treino. O professor pode até
baixar a voz como num sussurro para obter efeitos positivos, pois os ouvidos se
aguçam e aumenta a atenção. Lembrar que uma voz de tom uniforme é normalmente
uma voz monótona, e uma voz monótona produz cansaço e com o cansaço vem a falta de atenção e o esforço diminui. Convém saber
utilizar a voz para manter a classe desperta e ativa;
e) Falar
sempre de algum lugar estabelecido do Dojô. O
professor deve estar sempre em movimento para dirigir-se a todos pelo menos uma
vez, porém deve sempre voltar à mesma posição quando introduzir um novo ponto.
Assim, quando os alunos ouvirem o sinal saberão imediatamente onde olhar para
escutar.
OBSERVAÇÃO:
A
habilidade de um professor/instrutor para ver o que
ocorre durante um ataque simulado ou real tem uma importância fundamental. A
experiência adquirida nessa observação determina o tipo de técnica que está
ensinando e se ela vai ser eficiente ou não. No caso de aula coletiva é bom
lembrar os seguintes pontos:
a) Comprovar
a intervalos freqüentes se o ritmo de ensino é muito lento ou muito rápido para
os alunos, e se eles estão assimilando o fluxo de informações. O professor deve
sentir o ambiente da aula e ser capaz de fazer adaptações imediatas em seu
plano de aula dependendo dos alunos e das ocasiões que se apresentarem. Essa
habilidade será mais importante quando o professor trabalha com grupos
distintos, por exemplo: mulheres, crianças e pessoas idosas, pois cada grupo
necessita de um ritmo diferente e o professor tem de ser capaz de dá-lo;
b) O ritmo de aprendizagem de cada individuo é diferente. Alguns captam rápido e querem ir em frente, enquanto outros
“a duras penas” conseguem acompanhar. Esse é um problema difícil e geralmente o
professor tem que ajustar a sua aula para os mais lentos. No entanto, não ao
mais lento, pois esse deve ser colocado a parte para
uma instrução individual suplementar que deve ser feito com o máximo cuidado,
pois ninguém gosta de ficar de lado. O mesmo problema acontece com os mais
adiantados e a estes também se deve dar objetivos
adicionais que exijam maior esforço e coordenação;
c) Quando
um professor olha para uma determinada dupla, geralmente se concentra nos erros
dos movimentos de um dos dois para poder sugerir maneiras de poder eliminar as
falhas. No entanto, não deve esquecer que os erros podem ser devidos a uma
razão diferente da possível incapacidade do aluno em executar o movimento
corretamente. Por exemplo: pode ser culpa do oponente, pois se o oponente é
muito grande ou muito pequeno ou tem uma reação errada, qualquer dessas
suposições inutilizará o movimento ofensivo do outro. O professor deve decidir
do que se trata e se é preciso mudar a dupla.
Em um treinamento de alto nível, por exemplo, de
competidores internacionais, a incapacidade para executar de forma satisfatória
o treinamento pode ser por causa de fatores emocionais (problemas familiares,
financeiros, etc.) O treinador deverá interessar-se pelos problemas das pessoas
que estão aos seus cuidados para poder compreendê-los e ajudá-los em
determinadas circunstâncias. Também o enfoque da instrução tem que ser
diferente em cada região para adaptar-se às pessoas de cada lugar. O sulista é
diferente do nordestino, que por sua vez é diferente dos moradores do
centro-oeste. Então, para conseguir o máximo de cada um é preciso
compreendê-los e analisá-los.
10. IMAGINAÇÃO
O Karate
contribui para a Educação Geral, e um dos objetivos principais da educação é
estimular a imaginação do indivíduo.
O método da Reflexão (Gestalt),
já comentado, no qual o princípio é não induzir o aluno a determinados
movimentos, e sim fazer que ele deduza qual é o melhor caminho.
Uma das principais vantagens desse método
é provavelmente sua capacidade para satisfazer simultaneamente a vários níveis
distintos. Nos curso de karate é sempre um grande
problema a diferença de nível técnico, por exemplo: de segundo dan a sexto kyu. Como ensinar a
um grupo tão heterogêneo? Se se dirigem instruções
aos graus superiores, os inferiores ficam prejudicados, da mesma forma, quando
se ensina aos faixas brancas os pretas ficam desmotivados.
Desta forma, um plano de ensino bem imaginativo pode satisfazer a todos, pois
cada um resolverá o problema segundo as suas experiências. Tudo o que o
professor deve fazer é controlar o desenvolvimento resultante.
11. CONCLUSÃO
Essas regras, como todas as de
condutas, devem ser assimiladas. Há uma história ZEN que diz: “o peixe é bom para você, porém não é bom
enquanto está no prato ou na boca, nem quando está no estômago, mas somente
quando deixa de ser alimento e é absorvido pelo sistema digestivo, aí é bom
para você”. Qualquer outro caso nesse aspecto que somente quando for
absorvido completamente pode produzir um beneficio real.
O professor de karate
deve tentar se ver como parte de um sistema geral da educação. Sua obrigação
não consiste unicamente em fazer karatecas melhores,
mesmo que isso seja uma parte essencial de seu trabalho, mas também em tratar
de melhorá-los como cidadãos, ampliando seus campos de interesse e aumentando
seus conhecimentos em todo o tipo de disciplina que os ajudará a serem pessoas
mais felizes e completas.
O karate é uma
atividade muito simples, portanto, deve-se tomar cuidado com os mestres que tem
comportamentos dúbios e místicos, que às vezes se improvisam como tais em
respostas a uma questão psicológica típica dos ocidentais.
Por causa da diversidade de estilos, o
panorama do karate no mundo em geral é confuso e
contraditório. Esta contradição também
foi exportada do Japão para os vários países Ocidentais, mas é conveniente não
aceitar as coisas sem antes fazer uma filtragem com os parâmetros ocidentais.
Podem ser perigosos e alienantes! Evite os dogmas!
Ao considerar os vários estilos de karate, verifica-se que, bem feito, todos os estilos são
bons. Faça um karate aberto a todas as experiências
técnicas. Evite ficar ligado tecnicamente a um só mestre. Procure mais informações.
Talvez assim caiam as barreiras que hoje dividem o karate. Essas divisões no passado eram de ordem
técnica e filosófica, mas muitas vezes tinham conotações político-financeiras
que infelizmente tiravam o brilho dessa arte maravilhosa.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
q BRITO, Ap e Montalverne,
J e CARVALHO, J e GRAVATA, C e CÁRMINO, Estudo
comparativo dos perfis psicológicos de fundistas,
velocistas e triatlonistas. Ministério da
Educação, Tip. Minerva do Comércio, Lisboa, 1191.
q GRATTY, Briant:
trad. por Oliva Lustosa Bergier.
Psicologia do Esporte, RJ: Prentice-Hall do Brasil, 1984.
q GLEESON, G. R.
– Judô para Ocidentales
– Editorial Hispano Europea,
Bori y Fontestá, 6 – 8
Barcelona – 6 Espanã.
q HARRIS, D. Por que practicamos deporte? BARCELO,
Ed. Jims, 1980.
q LAWTER,
J.D. Psicologia del esporte y del
deportista. Buenos Aires, Ed. Padões, 1978.
q SINGER, R. Psicologia dos Esportes. São Paulo, Jhanper
do Barsil, 1978.
q
ASCHIERI, Pierluigi. Progetto “Sport a Scuola”, FILPJK, Roma,
2.000.
Este texto está publicado na Internet no endereço:
http://www.padilla.adv.br/karate/aldo.htm
////////)))))/))
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. \ /
. \___/ Luiz Roberto Nuñesos PADilla
Aprofundes suas idéias,
conhecendo outras de nossas páginas:
Atendendo
proposta do Prof. Padilla a disciplina “Direito Desportivo” foi inserida no Currículo dos Cursos
de Ciências Jurídicas e Sociais da Faculdade de Direito da UFRGS (Universidade
Federal do Rio Grande do Sul) onde atualmente organizamos Curso de
Extensão em Direito Desportivo, veja conteúdo programático na página
www.padilla.adv.br/desportivo
Dualidade, o Tao presente em todas coisas
Exemplos da história - usar a dualidade e evoluir
sempre
Polêmica entre o CREF e as Federações Desportivasó
Legislação desportiva, listagem ó
Porque o Futebol é privilegiado relativamente a
outros esportes è
Lei do Desporto “Lei Pelé” consolidada
com modificações
ocorridas desde 1998 è
Código
Brasileiro de Justiça Desportiva de 23 de dezembro de 2003 è
Bingos proibidos 2004:
SUMIRAM com o CORPO para o CRIME NÃO ser INVESTIGADO
è è
Quadro elaborado pelo Dr. Décio Nehaus
comparando Lei
Pelé original às modificações da Lei 10.672 è
Paraninfo
propôs refletir sobre futuro que desejamos para
nossos filhos è
Charge
sobre jogos olímpicos: è
Causo
Pitoresco: Expulso com calcinha vermelha è
Primeira partida com um quadro completo de Árbitras è
Aperfeiçoando para 1 Mundo Melhor
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http://pessoal.mandic.com.br/~padillaluiz, http://www.direito.ufrgs.br/pessoais/padilla,
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http://virtual.pt.fortunecity.com/virus/52/, etc somavam 3.278 visitações e as
páginas temáticas criadas nos Grupos registravam 136.703.104 visitas totalizando em novembro de 2003 impressionante marca de 136.706.382 visitas. Para
conhecer as páginas ou Grupos Temáticos clique duas vezes nesta linha ó A soma não computou visitas às
páginas criadas em outros sítios de Internet como http://nossogrupo.abril.com.br (extinto em dezembro de 2003), ou yahoo. *Em construção no domínio
próprio desde 14 de dezembro de
2003 quando instalamos novo contador zerado que já somou, desde então,
visitas
Luiz Roberto Nuñesos PADilla
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