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Para realizar grandes sonhos necessitamos[[[ Grandes sonhos! [Hans Seyle]
Aperfeiçoando-nos construímos 1 ümelhor
Seiza
As vantagens do seiza foram sentidas pelos guerreiros, e sua prática
passou a ser obrigatoriamente empregada no treinamento das artes militares da
cultura japonesa, qualificados com a palavra “Caminho” - das Artes Militares
(Artes Marciais, termo mais usual na atualidade), Caminho das Flores, Caminho
da Arte, etc. Podemos dizer que todos são aperfeiçoados e sublimados por causa
do seiza.
Numa escola de Formosa, até então considerados fracos, a relações entre
a disposição mental e a prática do seiza foram demonstrados. Professores do
Judô e Esgrima, adiaram o ensino de suas respectivas artes aos alunos recém
matriculados, fazendo-os se exercitar na prática do seiza. Os alunos naturais
de Formosa, não tinham nenhuma experiência de seiza. Havia os que sofriam
bastante com apenas cinco minutos de prática, empalidecendo e caindo, ou então
expelindo gazes. Fazendo-os prosseguir, com perseverança, passaram a agüentar
dez, quinze, trinta minutos. Foram preciso cerca de dois anos para eles
passarem agüentar uma hora. Depois de adestrados assim no seiza, passou-se ao
aprendizado das técnicas. No fim do terceiro ano, muitos, além de alcançarem
melhores resultados nos estudos, tinham obtido grau judô e esgrima. Quando
esses alunos chegaram ao quinto ano, foram infelizmente derrotados na
competição de esgrima, mas venceram todas as competições de Formosa no judô e
participaram do Campeonato de Educação Física do Santuário Meiji, como
representantes de Formosa. Os naturais de Formosa, considerados pouco fortes,
foram assim recebidos no mundo das Artes Marciais. Esse exemplo mostra quão
útil é o seiza para o aprimoramento do corpo e da mente. E podemos compreender
a disposição do espírito com que os samurais praticavam o seiza.
A origem do Seiza
O termo Zen vem do sânscrito Dhyana, que na China modificou-se para
Zen-na, posteriormente abreviado para Zen. Zen-na foi traduzido para
“pensamento tranqüilo”. Os antigos comparavam a mente à água colocada dentro de
uma vasilha e diziam que quando a vasilha se move a água se agita, mas que
quando se mantém imóvel, o líquido permanece tranqüilo. Surgiu à idéia da
pratica do seiza para a obtenção da tranqüilidade mental. Quando se está em pé,
o centro de gravidade de nosso corpo se acha em posição elevada e, portanto não
se tem estabilidade suficiente, o que acarreta em estado de inquietude mental.
Quando se está deitado, a estabilidade do corpo é excessiva, o que provoca
quietude mental também exagerada, provocando a sonolência. Quando se dorme,
obviamente não se está no estado de quietude mental desejado. Quando tomamos a posição
sentada, obtemos o grau ideal de estabilidade física e mental, sendo alcançado
o estado de quietude mental mais conveniente. Assim optou-se pela posição
sentada. Além disso, pensou-se nas melhores condições para obtenção da quietude
mental: com os olhos fechados o praticante tem a sensação de estar balançando e
se torna mais propenso ao sono. Os olhos devem ficar entreabertos. Não é
aconselhável o corpo ficar apertado, aconselha-se vestes folgadas. A coluna
vertical fica rigorosamente vertical e deve aumentar a quantidade de ar
inspirada no processo da respiração. O ideal é a respiração abdominal. Assim,
pouco a pouco os antigos foram estabelecendo a posição e as regras próprias
para o Seiza
Influência do Seiza sobre o físico
Que esclarece a ciência moderna sobre o seiza? A respiração começa por
ocasião do nascimento, quando o ar penetra no interior do corpo do bebê,
produzindo o seu primeiro vagido. A vida depende da respiração. O fim da
respiração é um dos sinais da morte, fim da vida. Existe profunda relação entre
respiração e saúde. Para ter uma vida longa, é necessário ter uma respiração
profunda. Praticando-se a respiração profunda, corpo e mente entram em quietude
e são criadas melhores condições para a vida.
Um adulto saudável respira normalmente doze vezes por minuto. A emoção
aumente esse número. A cólera a emoção mais fácil de se observar, pode leva-lo
ará a quarenta vezes por minuto. O corpo fica extremamente exausto, o que
prejudica a saúde. Quando se pratica o seiza, provocando uma tensão dos
músculos do baixo ventre e regulando a respiração, dentro de dois ou três
minutos a freqüência baixa para quatro e mesmo duas vezes por minuto. Nota-se
um aumento da capacidade pulmonar que de 500cc (normal) passa a 1.000 ou
2.000.Também melhoram as condições da circulação sangüínea. Uma pessoa normal,
respirando normalmente, conserva um terço de seu volume sanguíneo mais ou menos
estagnado no baixo ventre. A respiração abdominal conseguida através do
controle, acarreta uma circulação perfeita. Depois de Habituada com o
treinamento, a pessoa consegue condições ideais de circulação sangüínea após os
primeiros quinze minutos de controle. Os batimentos do coração, o pulso e a
pressão também atingem condições ideais. Baixa a pressão daquele que a tem alta
demais e vice-versa.
O gasto de energia pelo organismo. Um homem adulto, em repousa,
necessita por dia um mínimo de 1.400 calorias. A prática do seiza e do controle
da respiração faz baixar a quantidade para 1.000 calorias. A saúde é mantida
com o mínimo de alimentação. A alimentação frugal dos antigos samurais e dos
praticantes da Cerimônia do Chá está relacionada com essa prática.
A influência do Seiza sobre a mente
A ciência situa a mente na cabeça, no cérebro. Vimos com o seiza faz
baixar o consumo de calorias. Essa economia é feita com as calorias gastas no
cérebro, mas a prática do seiza diminui esse número mais da metade e em certas
pessoas o faz baixar quase até zero. Isso mostra que o seiza não provoca
esforço cerebral. No cérebro humano existem cerca de vinte bilhões de
neurônios, cada um deles agindo como um tubo de vácuo num rádio. Cerca de 90%
deles estão ocupados com funções inconscientes, e só os 10% restantes com as
conscientes. Atuamos voluntariamente e conscientemente apenas sobre 5% de nossos
neurônios, exercitando o pensamento, a memória, etc., sendo, portanto fácil à
recuperação da fadiga sobre esta parte. Entretanto, quando agimos de má
vontade, obrigados por outrem, aumenta a atividade inconsciente, uma vez que
não o fazemos por vontade própria, colocando em atividade os 90% de nosso
cérebro e provocando uma fadiga da qual não é fácil a recuperação. Além disso,
o trabalho dos neurônios relacionados com o inconsciente é dez vezes mais
rápido que dos ligados ao consciente. Os antigos diziam: - “torna-te o senhor
em todas as circunstâncias” – recomendação para resolver todos os problemas da
vida e obter a realização integral como ser humano. Quando agimos
voluntariamente e independentemente em ralação a quaisquer circunstâncias, não
atuamos sobre as células vinculadas ao inconsciente, o esforço é muitíssimo
menor. O esforço voluntário produz o máximo em resultados com o mínimo de
gastos. Esse espírito de dependência nasce espontaneamente com a prática do
seiza. O treinamento nas artes tradicionais japonesas, como o Ikebana, o teatro
Nô (as Artes Marciais como o Karate), etc., demora longos anos e demanda que,
através da prática do seiza, seja desenvolvido o espírito de independência, a
fim de se conseguir o máximo em trabalho mental com o mínimo esforço. O caminho
deve ser palmilhado com o espírito de independência.
Mestres e discípulos
Todos somos, sempre aprendendo
Ao
responder a Prova Escrita do exame para promoção ao 2. Kyu - Faixa Marrom no Estilo Wado,
a Aluna Daniele Baum elaborou resposta para a questão que,
apesar de não ser conclusiva sobre o assunto, que é vasto e permite incontáveis
questionamentos que podem demandar toda uma vida toda, sua leitura é altamente
recomendada para quem busca o aperfeiçoamento. Abraços Nelson
Guimarães, 2 de março de 2004
|
O professor Nélson
Guimarães é militante da arquitetura e, na busca do auto-aperfeiçoamento, é
faixa preta 6º Dan, e responsável técnico pela Escola Dojinmon de Karate-Do Wado-Ryu, para a América do
Sul. Ao longo das duas últimas décadas
colaborou com a administração desportiva e arbitragem, tanto em nível
regional, quanto nacional, em diversos cargos desde Presidente de Federação a
membro do CRD – Conselho Regional de Desportos, cargos que exerceu por mais
de dez anos (cada um). É rotariano, e seu notório empenho em lutar por um
mundo melhor no Karate reveste-se do ensino do mecanismo para crescimento
pessoal unindo técnicas das Artes Marciais clássicas com a metafilosofia do
Budô, buscando o equilíbrio entre o desenvolvimento físico, mental
e cultural. Veja mais sobre a
Escola em: e-mail
do Professor Nelson dojinmon@terra.com.br Telefones
(51) 3337.9936 ou 9806.6314 |
ZAZEN E BUDÔ.
Leia atentamente o texto abaixo e
faça paralelo com a prática de Karate.
Quem divulgou a fé da Metafilosofia
Zen no Japão foram às classes Samurais, que se tornaram os novos soberanos
desde a era de Kamakura (1192 – 1333 D.C.) até a era de Muromachi (1392 – 1573
D.C.). A situação social daqueles dias, durante cerca de 400 anos, se
caracterizou por inquietações e perturbações. Naquele tempo, o povo parece Ter
considerado que a vida da gente não merecia o ganho de um dia. Foi a era em que
a gente experimentou na realidade a dignidade da sua vida e a dificuldade de
viver. A paixão daquele tempo levou os militares a indagar acerca de como viver
no mundo de guerra e incerteza. Foi o Zen que respondeu esta pergunta.
Há uma expressão Zen, “Jogue fora”
e também há o princípio que responde à pergunta de “Como pensar em não pensar?”
Com “Sem pensamento”. O espírito de Zen exige que não nos comprometamos com
nada. Andar é simplesmente andar e sentar-se é só sentar-se, sem pensar nada.
Isto quer dizer que exige da gente dedicar-se só a uma coisa. É formar uma
vontade firme e uma intrepidez (coragem, valor) tenaz, aconteça o que
acontecer. Os “Samurais” daquele tempo conseguiram coragem e energia, sentando-se
(Zazen) sem pensar em nada e tendo o espírito de “Jogar fora”.
Resposta:
ZAZEN e BUDÔ
O Zen salienta o cultivo da intuição e a realização do satori, que é um estado espontâneo de
unidade com a natureza e com o universo alcançado através da prática
sistemática da meditação. O Caminho do
Guerreiro, Reid e Croucher, Ed.Cultrix
“Os efeitos do Zen são
encontrados na vida e no trabalho de certos indivíduos e de vários pequenos
grupos de pessoas, assim como os samurais ou a classe guerreira do Japão
Feudal. Na história do Extremo Oriente, os frutos do Zen são as várias centenas
de personalidades de tão notável grandeza que por si só podem testemunhar o
valor do Zen.
“... todavia, a despeito desse
aspecto quase feroz, o quadro dá uma inquestionável impressão de profunda calma
e suavidade, pois o caráter de todos os mestres zen mostravam esse paradoxo: a
inamovível equanimidade e ilimitada compaixão do Bodhisattva, combinadas com a
vitalidade brilhante e implacável do raio.
“Assim como encontramos estes
dois elementos distintos nos braços dos mestres Zen e de seus discípulos,
constatamos que a civilização do Extremo Oriente foi influenciada pelo Zen em
duas direções: na estética e nas artes militares.” O Espírito do Zen, Allan
Watts, Ed. Cultrix.
“Pois o grande tesouro que não pode ser obtido a não ser com
enorme sacrifício não é a Verdade: esta pode ser encontrada em todas as partes.
O tesouro raro é a capacidade de ver a Verdade.
Os sábios do Oriente têm escolhido cuidadosamente seus
discípulos... e a razão do seu segredo é que eles têm um enorme respeito e
reverência pela sabedoria. A fim de obtê-la o homem tem de sacrificar tudo o
que possui; tem de estar disposto a ir até o limite para mostrar que realmente
deseja aprender e fazer bom uso desse conhecimento; em resumo, tem de provar
que valoriza a sabedoria acima de todas as outras coisas, que a considera uma
verdade sagrada que nunca deverá ser usada para fins inconfessáveis”. O Espírito do Zen, Allan Watts, Ed. Cultrix
“... quando o Período Edo – uma longa era de paz – seguiu-se
à época dos generais litigantes, um novo conceito entrou nestas artes. Foi
nessa época que a idéia de Budô veio
à existência. Budô significa “via
marcial” ou “caminho marcial”. Dô é
derivado da palavra chinesa tao e
significa “um caminho através da vida”.
Ao adotar para si uma “via marcial” nessa época de paz, o
guerreiro japonês comprometia-se, antes de qualquer coisa, a seguir um caminho
de desenvolvimento espiritual por meio do treinamento marcial. A eficácia
prática desse treinamento passou a ser secundária.
... entretanto, o bushidô
ou “caminho do guerreiro” (código de ética do samurai) trata antes de tudo das
atitudes mentais do guerreiro feudal.
Na verdade, o sentido de bushidô
é o de fazer alguma coisa boa para o mundo, deixar no mundo uma marca benéfica,
e depois ser capaz de desapegar-se do corpo humano e aceitar a morte.
... a nuance de significado da palavra é a de que essa é uma
via que exige responsabilidade; em outras palavras, é uma via na qual sua
cabeça ou pescoço está em risco.
As diversas artes de cultivo pessoal são escritas com a
palavra -dô. O sentido global,
portanto, é o de que esse é o caminho correto a ser seguido pelos seres
humanos.” O Caminho do Guerreiro, Reid e
Croucher, Ed.Cultrix
“Muitos samurais que ignoram as leis de sua classe no
cumprimento dos mandamentos de guerreiro não alcançam o sentido do vazio. Como resultado de suas confusões
e perplexidades, consideram a indefinição, aquelas coisas que lhe parecem
incompreensíveis, como o vazio.
Naturalmente isso não é o verdadeiro vazio.
Para alcançar o entendimento do vazio, o samurai deve aprender de modo seguro os mandamentos da
arte militar e, além disso, dominar perfeitamente as artes marciais, praticar
com decisão e firmeza espiritual os deveres de samurai. E aperfeiçoar com
tenacidade e diligência o espírito e a vontade, aguçando a capacidade de
percepção e de visão, eliminando qualquer nuvem de dúvida. Só então conhecerá o
verdadeiro vazio”. GORIN NO SHO, Miyamoto Musashi, Cultura
Editores Associados.
“Vemo-nos presos à contradição de encontrar a vida em meio a
um quebra-cabeça muito desconcertante, capaz de nos causar muitos sofrimentos;
ao mesmo tempo, temos uma vaga consciência da natureza ilimitada, infinita da
vida. Desta maneira, começamos a procurar uma resposta a esse enigma.
A primeira forma de procurar é buscar soluções fora de nós
mesmos... Por trás de nossas fachadas agradáveis e amistosas ferve um constrangimento
considerável. Se eu pudesse raspar o verniz e ir um pouco mais fundo do que a
superfície de qualquer pessoa, encontraria medo, dor e uma profunda ansiedade
desvairada. Todos temos métodos para encobrir tais sentimentos. Comemos demais,
bebemos demais, trabalhamos demais, assistimos à TV demais. Estamos sempre
fazendo algo para encobrir nossa ansiedade existencial básica.
O que de fato queremos é uma vida natural. Nossas vidas são
tão artificiais que realizar uma prática como a do zen, no começo é bastante
difícil. Porém, assim que começamos a vislumbrar que o problema da vida não é
algo externo a nós, teremos começado a percorrer o caminho.
Entramos numa disciplina como a prática zen para podermos
aprender a viver de modo lúcido. O zen tem quase mil anos e seus defeitos já
foram corrigidos; embora não seja fácil, não é insano. É sensato e muito
prático. Diz respeito à vida cotidiana. Refere-se a trabalhar melhor no
escritório, a criar melhor as crianças, e estabelecer relacionamentos melhores.
Levar uma vida mais lúcida e satisfatória deve decorrer de uma prática
equilibrada e lúcida. O que desejamos fazer é encontrar uma maneira de
trabalhar com a insanidade elementar que existe em função de nossa cegueira.
É preciso coragem para se sentar bem. O zen não é uma
disciplina para todos. Precisamos estar dispostos a fazer algo que não é fácil.
Se o fizermos com paciência e perseverança, com a orientação de um bom
instrutor, então, aos poucos, nossa vida irá se aquietar, ficar mais
equilibrada. Nossas emoções não serão mais tão dominadoras. Enquanto sentamos,
descobrimos que a primeira coisa, a mais elementar, para trabalhar, é nossa
mente caótica, ocupada. Estamos todos enredados num pensar frenético e o
problema da prática está em começar a trazer esse pensamento para a claridade e
o equilíbrio. Quando a mente fica limpa, clara, equilibrada, e não mais
prisioneira dos objetos, então poderá haver uma abertura e, por um instante,
nos daremos conta de quem somos na verdade.
... O zen é um estudo para a vida toda. Não é só sentar-se
numa almofada durante 30 ou 40 minutos diários. Toda nossa vida torna-se uma
prática, 24 horas por dia.” Sempre Zen, Charlotte Joko Beck, Ed. Saraiva.
Comentei, outro dia desses, que o Karate havia mudado minha
vida. E a cada dia que passa, conforme penso sobre isso, me certifico mais e
mais que esta é a pura verdade. Foi através da prática do Karate, como caminho
de arte marcial, que iniciei minha jornada em uma nova forma de viver, que há
muito procurava e que, tendo buscado em vários lugares, acabei encontrando.
“O mais
importante é adquirir certa atitude mental conhecida como “sabedoria imóvel...”
“Imóvel” não quer dizer duro, pesado e sem vida, como uma rocha ou um pedaço de
madeira. Significa o mais alto grau de mobilidade ao redor de um centro que
permanece imóvel... Há algo imóvel dentro de nós e que, não obstante, se move
espontaneamente com as coisas que se apresentam diante dele”. Takuan, citado em O Espírito do Zen, Allan
Watts, Ed. Cultrix.

Os doze princípios
básicos do Budismo
1. A auto-salvação é
uma tarefa urgente para qualquer humano. Se jaz ferido com uma flecha envenena,
ele não atrasará sua extração para pedir detalhes a respeito de quem a atirou
ou do comprimento e fabricação da flecha. Haverá tempo para um entendimento
crescente do ensinamento. Por enquanto, comecemos encarando a vida como ela é,
aprendendo sempre pela experiência direta e pessoal.
2. O primeiro fato da
existência é a lei da mudança ou impermanência. Tudo que existe de uma mancha
uma uma montanha, de um pensamento a um império, passa pelo mesmo ciclo de
existência, a saber: nascimento, crescimento, decadência e morte. Só a vida é
contínua ainda que buscando a auto-expressão em novas formas. “A vida é de um
processo de fluxo e aquele que se apega a qualquer forma, por esplendida que
seja, irá sofrer por estr resistindo ao fluxo”.
3. A lei da mudança
aplica-se igualmente à alma. Não existe nenhum princípio nos indivíduos que
sejam imortal e imutável. Somente
“Aquilo que não tem nome” e “Realidade Última” está além da mudança; e
todas as formas de vida, o homem inclusive, são manifestações da Realidade.
Ninguém nunca é dono da vida que flui em si, assim como a lâmpada elétrica não é
dona da corrente que a faz brilhar.
4. O universo é a
expressão da Lei. Todos os efeitos têm causas e a alma ou o caráter do homem, é
a soma total de seus pensamentos e ações anteriores. O Karma que significa ação
e reação governa toda a existência, mas o homem é o único criador de suas
circunstâncias. Sua reação a elas cria sua condição futura e seu destino final.
Através do pensamento e da ação corretos, ele pode gradualmente purificar sua
natureza interior e, assim, através da auto-realização, atingir em tempo a
libertação.
5. A vida é uma,
indivisível, ainda que suas formas que sempre mudam, sejam inumeráveis e
previsíveis. Na realidade, não há morte, embora todas as formas devam morrer.
Do entendimento da unidade da vida brota a compaixão, um sentimento de
identidade com a vida em outras formas; a compaixão é descrita como a “Lei das
Leis” – eterna harmonia -, e aquele que quebra essa harmonia sofrerá
proporcionalmente a sua ação e retardará a sua iluminação.
6. Sendo a vida uma,
os interesses da parte serão os interesses do todo. Em sua ignorância, o homem
pensa poder trabalhar com sucesso por seus próprios interesses; essa energia
comandada pelo egoísmo voltada para a direção errada, produz sofrimento. Parte
do sofrimento é reduzível pelo aprendizado finalmente eliminando a sua causa. O
Buda ensinou as Quatro Nobres Verdades: a) a onipresença do sofrimento; b) sua
origem, o desejo, voltando para a direção errada; c) o Nobre Óctuplo Caminho de
autodesenvolvimento, que conduz ao fim do sofrimento.
7. O Óctuplo Caminho
consiste em: Visão Correta, ou compreensão preliminar; Objetivos ou Motivos
Corretos, Palavras Corretas, Ações Corretas, Vida Correta, Esforço Correto,
Concentração ou Desenvolvimento Mental Correto e finalmente “Samadhi”
(meditação) Correto, que conduz à Iluminação Completa. Assim como o Budismo é o
Caminho de Vida, e não meramente teoria sobre a vida, o trilhar da Senda é
essencial para a autoliberação “Cessar de fazer o mal, aprender a fazer o bem,
purificar a sua própria mente: são os ensinamentos dos Budas.”
8. A realidade é
indescritível e um Deus com atributos não é a Realidade final. Mas o Buda, um
ser humano tornou-se o Totalmente Iluminado e o propósito da vida é o atingido
pela iluminação. Esse estado de consciência, o Nirvana a extinção das
limitações do ego, é atingível aqui mesmo. Todos os humanos e todas as outras
formas de vida, contem a potencialidade da Iluminação; os processos consistem,
portanto, em tornar-se “naquilo que você é” : - “Olha para dentro, tu és Buda”.
9. Entre a Iluminação
potencial e a verdadeira fica o Caminho do Meio, a Senda Óctupla do anseio pela
paz, um processo de autodesenvolvimento entre os “opostos”, evitando os
extremos. O Buda palmilhou esse Caminho até o fim e a única fé requerida no
Budismo, é a crença razoável de que houve um Guia que trilhou a Via, fazendo
que nós a trilhemos. O Caminho há de ser trilhado pelo homem inteiro e não
apenas pelo que há de melhor nele. Coração e mente devem ser igualmente
desenvolvidos. O Buda foi o Topo Compassivo, ao mesmo tempo em que foi o
Iluminado.
10. O Budismo insiste
grandemente na necessidade de concentração e na medição interiores, que
conduzem ao desenvolvimento das faculdades espirituais interiores. A vida
interior é tão importante quanto o corre-corre cotidiano. Períodos de quietude
para a atividade interior são essenciais, para uma vida equilibrada. O Budista
deve estar atento e consciente de si em todas as horas, guardando-se do apego
mental e emocional ao “espetáculo que passa”. Essa vigilante e crescente
atitude em relação às circunstâncias, que ele sabe serem sua própria criação,
ajudando-o a manter sua reação a elas sempre sob controle.
11. O Buda disse:
“Trabalha para sua própria salvação, com diligência”. O Budismo não conhece
qualquer autoridade, salvo a intuição do indivíduo e essa autoridade é apenas
para esse indivíduo sozinho.
12. O Budismo não é
nem pessimista nem “escapista”, nem nega a existência de Deus e da alma, embora
empreste um significado especial a estes termos. Pelo contrário, é um sistema
de pensamento, uma religião, uma ciência espiritual e um caminho de vida, que é
razoável e prático e abrange todas as coisas. Por mais de dois milênios
satisfez as necessidades espirituais de cerca de um terço da humanidade. Ele
atrai o Ocidente porque não tem dogmas, satisfaz igualmente a razão e o
coração, insiste na autoconfiança aliada à tolerância para com os outros pontos
de vista, abrange ciência, religião, filosofia, psicologia, ética e arte, e
insiste no homem sozinho como o criador de sua vida presente e único
determinador do seu destino.
O discípulo amava e admirava seu mestre. Observava-o em todos os
detalhes. Acreditava que, ao fazer o que ele fazia, iria também adquirir sua
sabedoria.
O mestre só usava roupas brancas, e o discípulo passou a vestir-se
da mesma maneira.
O mestre era vegetariano, e o discípulo deixou de comer qualquer
tipo de carne, substituindo sua alimentação por ervas.
O mestre era um homem austero, e o discípulo resolveu dedicar-se ao
sacrifício, passando a dormir numa cama de palha.
O mestre era aplicado nas artes marciais porque acreditava que a
paz que tal conhecimento propicia facilita a iluminação, e o discípulo começou
a praticar muito, até dominar muito as técnicas, até se tornar forte,
fisicamente, e um excelente lutador.
Passado
algum tempo, o mestre notou a mudança de comportamento do seu discípulo e foi
ver o que estava acontecendo.
-
Estou subindo os degraus de iniciação - foi a resposta - O branco de minha
roupa mostra a simplicidade da busca, a alimentação vegetariana purifica o meu
corpo, e a falta de conforto faz com que eu pense apenas nas coisas
espirituais.
Sorrindo,
o mestre o levou até um campo onde um cavalo pastava.
- Você
passou este tempo olhando apenas para fora, quando isso é o que menos importa -
disse - Está vendo aquele animal ali? Ele tem a pele branca, come apenas ervas,
e dorme num celeiro com palha no chão, é forte e um excelente lutador. Você
acha que ele tem cara de santo, ou chegará algum dia a ser um verdadeiro
mestre?
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